Os horríveis alemães, que nos venderam o que quisemos comprar
(...)Em poucas palavras, a crítica certeira ao regabofe de despesa pública
que foram os últimos 15 anos e, pelo meio, a extraordinária atenuante: a
culpa também é dos alemães, que se fartaram de nos vender “brinquedos”
caríssimos que agora temos dificuldade em justificar e em pagar. É o que
se vai ouvindo por aí: “Os alemães é que a sabem toda, querem a malta
no euro para poderem exportar”; ou “A Alemanha é que ganha com a Europa,
porque tem aqui mercados para vender os seus produtos”.(...)
(...)Foi, por isso, muito contrariados que durante décadas enchemos as nossas
estradas com BMW, Mercedes e Audis, nos quais odiamos ser vistos,
fazendo do nosso parque automóvel um dos melhores e mais caros da
Europa. E as nossas casas? Há por aí tecnologia chinesa tão boa, mas não
pudemos resistir à chantagem germânica e lá enchemos a cozinha de Miele
ou de Bosch. Os hospitais, esses, não queriam a tecnologia de saúde da
Siemens, mas não tiveram alternativa, tal como as fábricas não
conseguiram fugir, como pretendiam, aos sistemas da Thyssen para se
equiparem. Sem esquecer todos os que foram obrigados a comprar às
químicas e farmacêuticas BASF e Bayer. E a lista podia continuar, sector
a sector, empresa a empresa.(...)
Picado
daqui
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