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domingo, 2 de agosto de 2020

A MAIOR FARSA DO SÉCULO XXI

COVID-19: A MAIOR FARSA DO SÉCULO XXI - UMA NARRATIVA QUE NÃO TEM PONTA POR ONDE SE LHE PEGUE
Este é, em princípio, o último Post que publicarei sobre o tema. Além de enfastiado, penso que o desenrolar dos acontecimentos já seguiu para outros destinos. E ainda nos aguardam muitos acontecimentos fundamentais até ao final de 2020. Seja como for, quem ainda não se apercebeu que há qualquer coisa de muito errado com toda esta narrativa, talvez nunca venha a fazê-lo e nem "à martelada" a coisa vá.

Apesar disso, vou fazer aqui um pequeno resumo desconstrutivo, apresentando algumas das fontes (que poderão consultar no final do texto), que não são de forma alguma exaustivas. Para cada um dos pontos mencionados, poderei apresentar dezenas mais.
Como se poderá comprovar pelos pontos seguintes, nenhum dos parâmetros da narrativa oficial do COVID-19 se consegue sustentar por evidências.
1- Em Ciência, o ónus da prova pertence a quem sugere uma nova teoria, como é o caso da existência de uma doença nova (COVID-19) e um novo vírus (SARS-Cov-2). É curioso como tentam inverter as coisas com questões como: "Onde estão as provas de que isto não existe?". Onde estão as provas de que existe? Eu não tenho a obrigação de provar nada, mas sim quem defende a existência de uma doença nova associado a um vírus novo, porque a não existência já é representada pela chamada "hipótese nula". Ainda assim, não tendo de provar nada irei dar continudade a este texto.
2- Então, que provas há de que algo novo existe? De facto, nenhum vírus foi devidamente isolado e nenhum dos postulados de Koch ou de Rivers, que são os critérios para se poder definir que um dado patogeno causa uma dada doença, foi cumprido. [1]
O que não há certamente é uma doença nova (COVID-19), pois os seus sintomas são os mesmos que uma Gripe, ou uma Pneumonia (nos casos mais graves). Tendo em conta que 80 a 90% das pessoas que testam positivo, não possuem qualquer sinal da doença, e há muitas pessoas com sintomas e sem teste positivo, haverá sequer uma correlação estatisticamente positiva entre a existência deste suposto vírus e desta suposta nova doença? E mesmo que haja uma correlação (sempre pequena), como é que se pode estabelecer nexo de causalidade?
No entanto, vamos entrar na brincadeira e supor que há realmente um vírus novo associado a uma doença nova (atenção que eu não estou a afirmar que não há um vírus, apenas afirmo que este não foi devidamente isolado, que não se pode provar que é realmente "novo" e que é causador de alguma doença):
3- Então, inicialmente, as projecções da OMS e do Imperial College of London disseram-nos que iam morrer milhões! [41] Projecções completamente alarmistas que conduziram às medidas draconianas de Lockdown. Como se constatou, a mortalidade ficou muito aquém do projectado, abaixo de várias épocas de Gripe de outros anos. [2][3][4][40]
4- Como a mortalidade não chegou aos níveis que justificassem as medidas aplicadas, desculparam-se afirmando que se não fosse as medidas de confinamento, tudo teria sido pior, o que é errado, conforme é provado por vários pontos. As medidas de confinamento pouco ou nenhum efeito tiveram. [5][6][7][8]
5- Também nos disseram que o esforço de confinamento, afinal, já não era porque o vírus era muito perigoso, mas sim para não sobrecarregar os Serviços de Saúde. É normal todos os anos, quando há uma temporada de infecções respiratórias (Gripe), que acontece sempre na forma de um surto rápido, os sistemas de saúde um pouco por toda a Europa relatem sobrecarga. Ainda assim, porque os hospitais se prepararam para receber apenas casos de COVID-19 e adiaram outras intervenções, esse cenário foi muito menor este ano. Em Portugal, até se deram ao luxo de fechar hospitais como o SAMS [9]. Hospitais às moscas, Pouco trabalho. Esse foi o cenário em todo o mundo que provocou um movimento chamado #filmyourhospital que levou centenas de pessoas a filmarem os seus hospitais vazios e a publicarem na internet (pesquisem). [10][11] Na Lombardia, houve de facto, um maior entupimento, porque se colocaram todos os doentes em hospitais centrais. Isto, além de todos os procedimentos de "higienização", que atrasam todos os processos. Mas o caso da Lombardia é muito específico, pois trata-se de uma região onde todos os anos morrem 100 mil pessoas de doença. [12]
6- De qualquer das formas, o cenário de "escolher quem vive e escolher quem morre", tratou-se de outra falácia, pois os ventiladores, ao contrário do que se argumentou, não são uma ferramenta de salvação, muito pelo contrário! Atrasam a recuperação e diminuem em muito a taxa de recuperados. [13]
7- Uma das maiores fraudes em relação a toda esta questão é a forma como se classificam os óbitos por COVID-19. Logo a começar pelos códigos designados pela OMS para o COVID-19 [14] e passando pelas várias afirmações de que a grande maioria das pessoas determinadas como morte por COVID-19, foram-no por outras causas (Cancro, AVC, Leucemias, etc.): o assessor do Ministro Italiano da Saúde [15], a própria Directora Geral de Saúde, Graça Freitas [16], e por aí adiante [17][18][7][42]. Mas mesmo com a forma fraudulenta como se classificam as mortes por COVID-19, o número não chega ao da Gripe !!
8- Este confinamento não teve impacto em evitar a propagação do suposto vírus, mas teve efeitos muitos adversos, não só ao ter destruído a economia dos países e as vidas independentes de milhões de pessoas, como na sua própria saúde, pois foi responsável por um excesso de mortalidade muito acima do supostamente causado pela COVID-19. [19]
9- Mesmo considerando os números oficiais, e fazendo vista grossa à fraude que tem sido a contagem dos óbitos por COVID-19, taxa de mortalidade está ao nível da Gripe (senão mesmo mais baixa). A taxa de mortalidade tem de ser contabilizada através de infectados/mortos e não diagnosticados/mortos, conforme tem sido avançado e dado o enorme número de pessoas assintomáticas que dão positivo ao teste TR-PCR. Assim, com os testes serológicos que têm sido feitos em todo o mundo, temos percebido que de 10 a 50 vezes mais pessoas foram supostamente infectadas, do que as diagnosticadas (nalguns casos chegam mesmo a 100 vezes mais). Ora, isso reduz a taxa de mortalidade para níveis baixíssimos. [20][21][22] Além disso, estudos recentes indicam que a taxa de mortalidade afinal situa-se nos 0,26% [37]. A própria CDC norte-americana já veio confirmar esta taxa de mortalidade [38] (Ainda que se mantenha os números resultantes da fraude que foi a classificação de óbitos).
10 - O teste TR-PCR não serve para efectuar diagnósticos. Não foi criado para detecção de doenças infecciosas. Somente como auxiliar. [23] Além disso, estamos a testar material genético (não vírus), de algo que ninguém sabe bem o quê, porque o vírus nunca foi realmente isolado. [1] Trata-se de um teste que até dá positivo em frutas e cabras [24], conforme relatado pelo presidente da Tanzania (que é biólogo) !! 98% das pessoas testadas são assintomáticas, mais uma prova de não há relação entre dar positivo no teste e a suposta doença.
11- Agora anda a testar-se pessoas assintomáticas aos milhares, sobretudo na Grande Lisboa, não sendo portanto de estranhar que perante as características do próprio teste, [25] se encontrem cada vez mais pessoas que testam positivo, a despeito do número de internamentos e mortes continuar a baixar de forma imparável. Qual é a vantagem de andar a testar assintomáticos com testes que custam 100 a 200 euros cada um, quando a própria OMS já afirmou que os assintomáticos não propagam o suposto vírus? [26] Quem paga pelos milhões gastos em testes desnecessários? Nós. Quem está a ganhar milhões com esta narrativa que continua a ser perpetuada, apesar de completamente moribunda?
12 - Inúmeros foram os médicos, virologistas e outros especialistas que se insurgiram contra esta narrativa, mas foram ostracizados pela imprensa. [28, 29, 30, 31, 32, 33, 34], como por exemplo, uma lista de 250 especialistas. [35]
13 - Por último, chegam-nos cada vez mais informações de que este vírus que se supôs novo, afinal anda entre nós há mais tempo e nunca antes provocou Pandemia. [38][39]
CONCLUSÃO
Muito mais havia a dizer, mas penso que chega a um ponto em que se torna desnecessário.
Na minha opinião, não há provas de que exista uma doença nova (COVID-19), causada por um vírus que seja substancialmente diferente dos que por aí circulam todos os anos, portanto, toda esta narrativa assenta desde logo, numa base errônea.E a partir daí desenvolve-se como uma bola de neve imparável, alimentada por uma Imprensa que não é mais do que uma vergonhosa máquina de propaganda. [27]
As pessoas têm morrido do que sempre morreram todos os anos (Cancros, AVC's, Leucemias, Pneumonias, etc) e andam a ser classificadas como morte por COVID-19, mesmo que não seja essa a causa de morte, apenas porque dão positivo a um teste de material genético (TR-PCR), que ninguém sabe o que significa. Trata-se de obscurantismo e superstição ao mais alto nível.
Ao que se deve tudo isto? Haverá intenções por detrás que tentam conduzir a sociedade para uma agenda pré-estabelecida? Ou tratar-se-á apenas de má ciência e muita irracionalidade?
Seja como for, só há um caminho a seguir: esta narrativa tem de ser completamente refutada ou piores coisas acontecerão no futuro.
Vós que, por ignorância ou por medo da reacção dos pares, ou mesmo aqueles que tiram partido da situação, contribuem, de uma forma ou de outra, para este estado de coisas, mais cedo ou mais tarde terão de prestar contas, se não a mais ninguém, pelo menos a vós próprios.
Fontes:

SISTEMA NACIONAL DE PLANEAMENTO CIVIL DE EMERGÊNCIA …

SISTEMA NACIONAL DE PLANEAMENTO CIVIL DE EMERGÊNCIA …

Decreto-Lei n.º 43/2020, de 21 de julho - Cria o Sistema Nacional de Planeamento Civil de Emergência

Com a entrada em vigor do Decreto-Lei n.º 45/2019, de 1 de abril, que aprova a orgânica da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), importa estabelecer o Sistema Nacional de Planeamento Civil de Emergência e finalizar a divisão de competências entre a ANEPC e as entidades que integram o novo Sistema Nacional de Planeamento Civil de Emergência. A criação do referido Sistema Nacional, mediante diploma próprio, concretiza o disposto no n.º 1 do artigo 36.º do Decreto-Lei n.º 45/2019, de 1 de abril.

As FORÇAS ARMADAS podem participar nas ações do Sistema Nacional de Planeamento Civil de Emergência, enquanto agentes de proteção civil, ou de acordo com as orientações para a articulação operacional entre as Forças Armadas e as Forças e Serviços de Segurança, nos termos do artigo 35.º da Lei de Segurança Interna, aprovada pela Lei n.º 53/2008, de 29 de agosto, na sua redação atual.

As FORÇAS ARMADAS colaboram em matéria de segurança interna nos termos da Constituição e da lei, competindo ao Secretário-Geral do Sistema de Segurança Interna e ao Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas assegurarem entre si a articulação operacional. (cfr. artigo 35.º da Lei de Segurança Interna).

O planeamento civil de emergência desenvolve-se em processos integrados de participação das diversas entidades setoriais e coordena as capacidades que não pertençam às FORÇAS ARMADAS. (cfr. artigo 2.º, n.º 2, do Decreto-Lei n.º 43/2020, de 21 de julho).

Decreto-Lei n.º 43/2020, de 21 de julho, procede, ainda, à primeira alteração ao Decreto-Lei n.º 45/2019, de 1 de abril, que aprova a orgânica da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

CARACTERIZAÇÃO DO SISTEMA NACIONAL DE PLANEAMENTO CIVIL DE EMERGÊNCIA

1 - O SISTEMA NACIONAL DE PLANEAMENTO CIVIL DE EMERGÊNCIA visa garantir a organização e preparação dos setores estratégicos do Estado para fazer face a situações de crise, tendo como fim assegurar, nomeadamente:
a) A liberdade e a continuidade da ação governativa;
b) O funcionamento regular dos serviços essenciais do Estado;
c) A segurança e o bem-estar das populações.
2 - O planeamento civil de emergência desenvolve-se em processos integrados de participação das diversas entidades setoriais e coordena as capacidades que não pertençam às FORÇAS ARMADAS.
3 - O Secretário-Geral do Sistema de Segurança Interna garante a articulação entre o Sistema de Segurança Interna e o Sistema Nacional de Planeamento Civil de Emergência.
4 - As FORÇAS ARMADAS podem participar nas ações do Sistema Nacional de Planeamento Civil de Emergência, enquanto agentes de proteção civil, ou de acordo com as orientações para a articulação operacional entre as Forças Armadas e as Forças e Serviços de Segurança, nos termos do artigo 35.º da Lei de Segurança Interna, aprovada pela Lei n.º 53/2008, de 29 de agosto, na sua redação atual.

sábado, 11 de julho de 2020

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segunda-feira, 11 de maio de 2020

Museu Bordalo Pinheiro online


No dia 6 de Janeiro de 1881, aproveitando a comemoração do Dia de Reis, Rafael Bordalo Pinheiro faz uma ilustração no jornal O Antonio Maria com a representação de Zé Povinho deitado, com a cabeça pousada numa albarda, sustentando os reis de Portugal.Para identificar o conde D. Henrique, os trinta e três reis de Portugal e ainda o príncipe herdeiro, desenhados por Bordalo até ao ano de 1881, passe o cursor sobre cada elemento da gravura.


Mesmo com tanta arte e influência de Rafael Bordalo Pinheiro espalhada pelo país (e pelas casas de tantos portugueses), nada se compara a uma visita àquele que se apresenta como “o museu mais divertido de Lisboa”. Pode estar fechado, mas a diversão continua – agora à distância.
Para colmatar o período de encerramento temporário (as portas fecharam a 13 de Março e têm reabertura anunciada para 18 de Maio), o Museu Bordalo Pinheiro acaba de abrir ao público um inventário online com cerca de 13.200 registos de peças do artista — e também do filho, Manuel Gustavo.
Construído a partir do acervo privado de Ernesto Cruz Magalhães, fundador do museu, o espólio tem crescido e enriquecido ao longo de mais de um século.
A plataforma colecao.museubordalopinheiro.pt permite pesquisar, partilhar e até guardar os itens favoritos numa colecção virtual construída por cada visitante.


sexta-feira, 8 de maio de 2020

Mueda - Guerra Colonial - 16 de Junho de 1960


Nesse dia de 16 de Junho de 1960, o governador do (então) distrito de Cabo Delgado, Almirante Teixeira da Silva, tinha pedido ao administrador da circunscrição dos Macondes, Garcia Soares, para convocar uma grande banja. O Almirante queria falar aos Macondes, e em particular àqueles que tinham já organizado três delegações vindas do Tanganyika: o próprio Faustino Vanomba tinha vindo em 1959 e tinha sido bem recebido (e a sua viagem de volta paga) pela administração, depois o Simoni N'Chuchi tinha vindo, já em 1960, com seis outras pessoas (e foram palmatoados e presos pela administração), e por fim de novo o Faustino com Chibilite Vaduvane (Quibirite Diwane no Tanganyika) e cinco outras pessoas, tinham-se apresentado à administração a 14 de Junho.
Faustino, Chibilite e Simoni eram membros de uma associação de ajuda mútua de Macondes moçambicanos no Tanganyika, a Mozambique African Association, que eles chamaram em português “Sociedade dos Africanos de Moçambique”. A MAA-SAM era forte em Tanga e Lindi, e tinha um branch em Dar-es-Salam. Não tinham relações com Nyerere e a TANU, e não gostavam nada da MANU, Mozambique African National Union, que também tinha enviado uma delegação, depois da prisão do Simoni N'Chucha, dirigida por Tiago Mula, delegação esta que também tinha sido presa. A MANU, influenciada pela TANU, e cujos líderes eram urbanos, já falava em independência, enquanto a MAA-SAM, mais camponesa, queria negociar com a administração portuguesa as condições de um regresso massivo dos Macondes a Moçambique. Mas eles queriam ter as mesmas condições que usufruíam no Tanganyika, cujo capitalismo colonial era mais moderno, onde não havia trabalho forçado e onde não se exigia a quarta classe para ter a carta de condução. A MAA queria que os Macondes voltassem livres, queria a terra livre, queria Uhulu (em xi-maconde, Uhuru em ki-swahili), quer dizer liberdade.
Pode-se pensar hoje que isto implicava a independência para Moçambique, e aliás alguns jovens Macondes formados nas missões católicas holandesas de Imbuho e Nangololo pensavam nisso... Mas essa ideia ainda não era tão nítida para a MAA: Uhulu, liberdade para a terra, tal era o programa. Os habitantes do planalto já tinham conhecimento das prisões. Por isso, a administração local andava muito inquieta e desconfiava mais dos que vinham do Tanganyika que dos sócios do movimento Linguilanilo, que agiam legalmente no planalto produzindo voluntariamente algodão, porque estes se diziam portugueses quando falavam ao administrador e mesmo ao governador. Mas o almirante estava tranquilo, pois já tinha falado a amotinados na ilha da Madeira nos anos quarenta, com a sua farda branca e as suas condecorações... Queria mesmo muita gente para ouvi-lo. A administração de Mueda sentia que algo estava a nascer, e recomendou aos cipaios para dizer às populações que viessem sem as suas facas. O governador não queria vir com soldados, bastavam os cipaios com as suas armas de antes da Primeira Guerra mundial e de carregar pela boca... O intendente de Cabo Delgado teve que enviar dois jeeps, às escondidas, seguindo-o cinco quilómetros atrás.
Houve muita população que foi para Mueda, alegre, para ter a sua Uhulu das mãos da delegação que o Governador vinha acolher. Havia cerca de 5000 pessoas, e 1000 bicicletas. O governador falou só dos preços que iam ser bons, não anunciu a Uhulu, e nem tinha pensado que tal lhe seria pedido. Faustino e Chibilite pediram-na. O Almirante, numa louca inconsciência, mandou prendê-los, em frente da multidão. O aspirante Godinho hesitou, olhou para o administrador Soares, mas era uma ordem. A delegação foi algemada. A multidão avançou, um Maconde bateu com uma bomba de bicicleta no Governador e perguntou se alguém tinha uma faca. Godinho, encarregado da protecção do Almirante pegou na sua pistola e abateu o atrevido. Os padres brancos e o comerciante China gritavam para as pessoas se irem embora, mas elas avançavam para impedir o carro dos presos de seguir para Pemba. Os cipaios então fizeram fogo. Os dois jeeps que vinham, aos poucos, pela estrada de Chudi, chegaram nesse momento e o alferes também fez fogo. Algumas pessoas foram esmagadas pela fuga das outras. O governador de imediato saiu para Pemba com os presos, seguido, sem mesmo que ele soubesse, pelos jeeps militares, um dos quais virou-se, não aguentando a velocidade do carro do almirante... As testemunhas directas falam em algumas mortes, uma disse dezasseis. A Frelimo, no seu jornal publicado em Argel, cinco anos depois, fala de 150 mortos. No seu testemunho publicado no livro de E. Mondlane Lutar por Moçambique, J. Chipande disse que eram 600.
Mueda foi uma tragédia de seres humanos, dos dois lados. De um lado, uma delegação de Macondes do Tanganyika, ultrapassados pelo significado da sua própria reivindicação de Uhulu, querendo negociar a liberdade de volta às terras de Mueda. De outro lado, a administração local, assustadíssima pelo evento da banja, mas que tinha que obedecer às ordens do Almirante. E por fim, este marinheiro completamente ignorante da realidade nova, que nem queria escolta militar e que pensava poder acalmar os Macondes só com a sua bela farda branca. Portugal no seu todo muito simplesmente não tinha percebido que já se estava nos anos sessenta. Dez ou seiscentos mortos, o significado político de Mueda não muda, abriu uma nova era.
Foto publicada em Cais da Memória.
Depois, os Macondes quiseram fazer a guerra, prontos a seguir o primeiro movimento capaz de desencadeá-la. Mas isso é outra história.
O que não é outra história é o uso que é feito da primeira. Na cerimónia de Mueda, no dia 16 de Junho 2000, houve, em figurantes, colunas guerrilheiras do tempo da luta armada, isto é uma representação da própria Frelimo depois de 1964. Aliás, já não há aquela peça de teatro sobre o massacre. A última vez foi em 1995. Os actores estavam fartos de ser utilizados para uma cerimónia oficial e depois nem recebiam nada. O próprio Faustino Vanomba tinha representado o seu papel (isto é o papel que a história oficial dava-lhe), em 1987 e 1990, a pedido insistente do administrador. Mas estava triste e dizia que não tinha sido assim. Morreu em 1994. Em 1995, já o texto da peça tinha sido modificado um pouco. Mas depois não houve mais a representação. Quando os restos mortais do Chibilite Vaduvane foram trazidos de Inhambane, onde tinha morrido em 1977, houve de novo uma cerimónia mais importante, em 1999, mas a sepultura não estava pronta. A placa de cimento veio só quase um ano mais tarde e, até hoje, não tem nenhum nome, nenhuma data, nenhum epitáfio. Ouvi dizer que hesitam entre pôr o nome de baptismo (Matias) e o nome maconde (Chibilite). Em Inhambane, havia os dois. A campa do Faustino tem placa, sim, mas sem apelido. Na cruz de madeira está pintado a mão "Faustino", sem mais nada.
Desta vez, para o quadragésimo aniversário, nem os familiares de Faustino Vanomba, nem de Chibilite, nem o velho Simoni N'Chuchi, nem outros velhos, heróis daquele tempo de 1960, foram convidados. Foi apenas uma cerimónia da Frelimo só, com cerca de quinhentas pessoas, incluindo as estruturas vindas de Pemba e de Nampula.
Depois da prisão e do desterro, Faustino tinha refeito a vida em Inhambane. Tinha vindo visitar os familiares em 1987, e pensava que ia ser a mesma coisa em 1990. Mas o governo só subsidiou a ida e não a volta, e depois em Mueda não o dignificou, não o ajudou, nem aos dois filhos. Faustino foi reconhecido Antigo Combatente, mas não teve pensão. Bebia para esquecer, morreu na miséria, e os seus filhos que tinham vindo com ele para Cabo Delgado ficam hoje na mesma situação de pobreza.
A Frelimo faz parte da história de Moçambique e, aliás, esta parte da história precisa ainda de muitos estudos para acabar com o seu (ab)uso partidário exclusivo. Mas a história de Moçambique nunca se poderá resumir à história deste importante partido. Mueda 1960 não faz parte da história da Frelimo, nem pode, obviamente, fazê-lo – é outro período, outro contexto, são outras contradições, outros homens. Esquecê-lo para só transmitir a visão da Frelimo, de legitimidades e poderes que vieram depois, leva ao esquecimento dos homens que fizeram Mueda. Mas são eles, os heróis.
* Este artigo foi originalmente publicado na revista (hoje desaparecida) Agora. Economia, Política e Sociedade, Maputo, n° 2, Agosto 2000, pp. 30-31 para os 40 anos do “Massacre de Mueda” (16 de Junho de 1960).
* * *
Dezoito anos passaram desde a publicação deste artigo e do inquérito de terreno que tinha feito em Mueda quando dos 40 Anos. Já tinha feito um grande trabalho em arquivos coloniais e junto à maioria dos atores portugueses do “massacre” em Portugal. Infelizmente, nunca mais tive tempo para completar. Tenciono fazê-lo...
Afirmava que “os que fizeram Mueda”, membros da MAA-SAM, não vinham para “negociar a independência” de Moçambique – é um anacronismo traduzir a palavra suaíle “Uhulu” por “independência”. E independência do quê? Já tinham todos ouvido falar de “independência” mas o conteúdo concreto não era bem definido. “Moçambique” não tinha o mínimo significado para a grande maioria dos macondes, em particular os que tinham vivido anos no Tanganhica e no Quénia nas plantações de sisal, longe da maturação política das grandes cidades. Isso não significa que não havia Macondes a já pensar numa independência à escala da colônia inteira mas nada indica que já era o caso dos animadores da MAA em 1960. Queriam a liberdade para a terra deles, para a nação deles, para o povo maconde.
A delegação da MAA vinha com o vivido do Tanganhica, uma colónia inglesa mais desenvolvida e onde já não havia indigenato: vieram para Mueda para reivindicar o equivalente do que tinha na colónia além-Rovuma.
Queriam voltar para Moçambique porque a independência do Tanganhica era fonte de inquietação: pressionados pelo sindicalismo africano, os fazendeiros europeus do sisal aumentaram os salários e também a intensidade do trabalho, já não necessitando da mão de obra estrangeira, daí um desemprego crescente dos macondes moçambicanos; também a independência significava a tomada de poder pelos suaíles, que escravizavam os macondes um século atrás; o recenseamento de 1959 tinha pedido de que chefe dependiam os moçambicanos, e estes tinham sido obrigados a indicar regulados em Moçambique, pelo que tinham sido indicados para prepararem a sua saída do Tanganhica.
Isto é: não vinham para pedir com precisão a independência, e ainda menos a independência de Moçambique, mas a liberdade para voltar livres na terra livre deles. Pode-se perfeitamente chamar isso nacionalismo mas não era nacionalismo moçambicano. O direito à volta foi aceite por Portugal, mas individualmente, sem medida coletiva e no quadro do indigenato. Essas reivindicações, objetivamente, significavam uma rutura com a política colonial portuguesa da época, mas não era sentido assim na altura. Até os dirigentes da MAA tinham muito boas relações com o consulado e vice-consulados portugueses em Dar-es-Salaam, Tanga e Zanzibar e não tinham relação alguma com a TANU. Mas para Portugal, essas reivindicações já eram subversivas.
Terá sido um jogo duplo dos dirigentes da MAA? Se não errar, isso é a tese do excelente investigador Paolo Israel, da Universidade de Western Cape, que trabalha com base na memória oral – quando eu trabalhei principalmente em fontes arquivísticos coloniais e fontes orais portuguesas. Os testemunhas interrogadas por ele afirmam que, sim, já defendiam 1°) a independência, 2°) a independência de Moçambique. Ele me perguntou: com que critérios as minhas fontes arquivísticas e coloniais teriam mais valor que as fontes orais africanas dele? A pergunta era parcialmente errada: não são fontes de mesmo natureza e não vale a pena medir os valores respetivos delas. Mas as ciências sociais ensinaram-nos que 1°) a memória é uma construção permanente, e 2°) não pode existir sem quadros sociais. Os testemunhas macondes interrogadas por Paolo Israel conheceram, depois, toda uma luta anticolonial dirigida pela Frelimo e mais de cinquenta anos de poder e de imposição da narrativa desta. Associam a tragedia de 1960 com tudo o que se lhe sucedeu, com toda a sinceridade: sim, pediam a Uhulu, isto é a independência; sim, essa independência era a de Moçambique, etc.
Os arquivos coloniais veiculam a narrativa do colonizador. Mas têm uma vantagem: não mudam. Além disso, os atores coloniais que entrevistei nos anos 1980, um depois de outro, nunca mais tinham vivido em Mueda. Encontrei obviamente várias contradições nas narrativas deles, mas precisamente, pude confrontá-las. E também utilizei fontes orais africanas, quer recolhidas por mim, quer pelas brigadas do centro de estudos africanos da Universidade Mondlane.
Não é questão de saber “quem tem razão”. Este debate é muitíssimo interessante e deverá ser aprofundado, trata-se das condições de produção da memória. Condensarei essas linhas citando este pequeno debate que tive em 2000 com uma testemunha africana da tragédia do 16 de Junho de 1960:
“– Houve muitos mortos?
– Sim, muitos! Foram dezasseis!
– Ah! Pensava que eram seiscentos...
– ... sim, depois recebemos a orientação que eram seiscentos”.

Michel Cahen - diretor de investigação do CNRS, HDR. Investigador Associado da Escola Superior de Estudos Hispânicos e Ibéricos (Casa de Velázquez, Madrid).
Versão integral publicada in Miguel Cardina & Bruno Sena Martins (eds), As voltas do passado: a guerra colonial e as lutas de Libertação, Lisboa, Tinta-da-China, Maio de 2018, pp. 40-47. 
Mueda
Vila em Moçambique

Descrição

Descrição

Mueda é uma vila moçambicana, sede do distrito homónimo, na província de Cabo Delgado. Foi fundada em torno de um quartel do exército colonial português, sendo elevada a vila em 2 de Setembro de 1967. É o centro da cultura maconde, cujas esculturas de ébano são mundialmente conhecidas






Aviões de combate da Força Aérea Portuguesa em Mueda. Dois aparelhos caças FIAT G91. De acordo com os esclarecimentos de Manuel Silva, «estas aeronaves tinham a base mãe em Nacala. Estavam destacados em Mueda. Segundo creio, dois em Nampula. Quando a coisa apertava em Mueda, derivavam para Porto Amélia. Estas aeronaves tinham o nome de esquadra 502 “Jaguares”, criada em 1968.»
 Aspecto do ataque a Mueda em 20 de Janeiro de 1974

Aspecto de um hangar de Mueda
Reabastecimento de um aparelho Nordatlas
Saída DO27 e T6 para uma evacuação































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