Auditoria
Três milhões para telefones e carros
Um vogal do C. H. Médio Ave (a que pertence o Hospital de Santo Tirso) gastou 4900 € em telemóvel
Tribunal de Contas detecta gastos das administrações hospitalares.
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Os hospitais gastaram em 2009 mais de três milhões de euros só em combustível, telemóveis e viaturas atribuídas aos respectivos membros dos conselhos de administração. Os dados são revelados numa auditoria do Tribunal de Contas (TC) ao ‘Sistema Remuneratório dos Gestores e aos Princípios e Boas Práticas de Governação dos Hospitais’. Segundo o relatório, na aquisição de 94 viaturas para os membros dos conselhos de administração as unidades de saúde gastaram 2,7 milhões de euros. A região Norte foi a que apresentou a maior despesa: 1,8 milhões de euros na compra de 57 carros, distribuídos por 12 unidades de saúde.
No consumo de combustível, em que foram gastos 207 mil euros em 2009, sobressai o Centro Hospital do Nordeste, EPE, por ser a unidade de saúde que suportou o maior encargo, cerca de 20 mil euros para todos os gestores. O presidente do Centro Hospitalar do Nordeste, EPE, António Henrique Machado Capelas, foi quem mais combustível consumiu: cerca de cinco mil euros de despesa.
Em gastos com telemóveis, num total de 89 mil euros distribuídos por todos os hospitais a maior despesa foi efectuada por um vogal do Centro Hospitalar do Médio Ave (que congrega os hospitais de Santo Tirso e Famalicão), que gastou 4900 euros, ultrapassando em 3700 euros o limite anual. Segundo o relatório do TC, os gestores hospitalares gastam dinheiro "como se os recursos fossem ilimitados".
No que diz respeito às despesas com telemóveis e combustível, o TC refere que "os conselhos de administração deviam ter actuado de acordo com os princípios de bom governo, de modo a acautelar os custos e a transparência na utilização destes recursos, já que os limites estabelecidos podem não constituir uma restrição". Assim, o tribunal pede urgência na reformulação do sistema remuneratório dos hospitais.
"ESTADO TERIA PAGO MAIS SE FOSSE AO PRIVADO"
O médico do Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio que recebeu 796 mil euros e 745 mil euros entre 2008 e 2009 não quer falar sobre o assunto.
"O dr. Jorge Correia acha que não tem de prestar contas a ninguém. O que recebeu refere-se a trabalho na recuperação das listas de espera de cirurgias oftálmicas e rastreio da retinopatia diabética. O Estado teria pago mais se as intervenções tivessem sido feitas no privado", disse ao CM o director do CHBA, Luís Batalau.

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