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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

TEXTO DE MEMÓRIAS, SAUDADE E AMOR À TERRA

Montemor-o-Velho — Terra de Gentes, de Amor e de Paixão.


Onde o Mondego guarda memórias e o coração nunca esquece as suas raízes.

Há terras que se visitam, há terras que se admiram, mas há terras que se levam para sempre dentro do coração. Montemor-o-Velho é uma dessas terras. Terra de história, de tradições, de gente humilde e trabalhadora, de mãos calejadas, de rostos marcados pelo sol e pelo tempo, mas de corações grandes, cheios de amor, coragem e paixão.

Quem conheceu o Montemor de outros tempos ainda guarda na memória o chiar das rodas dos carros de bois, que percorriam lentamente os caminhos de terra batida, carregados com os frutos do trabalho dos campos. À frente, os bois caminhavam devagar, como se soubessem que a vida não precisava de tanta pressa. Atrás, homens de chapéu na cabeça, mãos firmes e olhar cansado, levavam consigo o sustento da família e a esperança de um amanhã melhor.

E havia o Mondego, esse rio tão nosso, companheiro de tantas gerações, testemunha silenciosa de alegrias, tristezas, encontros e despedidas.

Nas suas águas navegavam as barcaças, carregadas de mercadorias, de sonhos e de histórias. As bateiras deslizavam suavemente pelo rio, conduzidas por homens que conheciam cada corrente, cada curva, cada segredo daquelas águas. Eram homens de coragem, que enfrentavam o frio das madrugadas, a força das correntes e as incertezas de cada dia.

A pesca no rio era mais do que um trabalho. Era uma forma de viver. As redes lançadas à água, as mãos molhadas, o silêncio da espera e a alegria de uma boa pescaria faziam parte de uma vida simples, mas cheia de dignidade. O peixe que o Mondego oferecia ajudava a matar a fome e a alimentar a esperança de muitas famílias.

E as mulheres de Montemor? Ah, essas mulheres de outros tempos! Mulheres de fibra, de avental à cintura e lenço na cabeça, que trabalhavam de sol a sol, cuidavam dos filhos, da casa e da terra. Mulheres que sabiam transformar pouco em muito, que escondiam as lágrimas para não entristecer os seus e que tinham sempre uma palavra de carinho, um pedaço de pão e um abraço para oferecer.

Havia também os amores de antigamente...

Amores que nasciam num simples cruzar de olhares, numa festa da terra, à saída da igreja, junto aos campos ou nas margens do Mondego. Amores feitos de cartas guardadas em segredo, de mãos que se tocavam timidamente, de promessas feitas ao luar e de corações que batiam mais depressa à espera de um encontro.

Quantas histórias de amor terão começado junto ao rio? Quantos beijos terão sido roubados à sombra das árvores? Quantas lágrimas terão caído nas águas do Mondego por um amor distante ou por uma paixão impossível?

Naqueles tempos, amar era muitas vezes esperar. Era guardar saudades, era sonhar em silêncio, era prometer uma vida inteira com um simples olhar.

E lá no alto, o majestoso Castelo de Montemor-o-Velho, senhor de tantos séculos, observava tudo. Via os carros de bois passar, os homens regressar dos campos, as barcaças seguir o seu caminho e os namorados fazer promessas de amor eterno. As suas muralhas guardavam, e continuam a guardar, as histórias de um povo que nunca deixou de amar a sua terra.

O tempo passou...

Os carros de bois deixaram de chiar pelos caminhos. Muitas barcaças desapareceram das águas do rio. As bateiras já não fazem parte da vida quotidiana como outrora. Os velhos pescadores partiram, levando consigo histórias que nem sempre ficaram escritas. Os caminhos mudaram, as casas transformaram-se e muitas vozes que enchiam as ruas calaram-se para sempre.

Mas há uma coisa que o tempo não conseguiu levar: a alma de Montemor-o-Velho.

Essa continua viva nas lembranças dos mais velhos, nas histórias contadas de pais para filhos, nas fotografias amarelecidas pelo tempo, nas tradições que resistem e no coração de todos aqueles que sentem orgulho nas suas origens.

Porque Montemor-o-Velho não é apenas um castelo, um rio, campos férteis ou ruas antigas.

Montemor-o-Velho é gente. É suor. É sacrifício. É saudade. É amor. É paixão.

É a memória de um pai que regressava cansado do trabalho. É o carinho de uma mãe que esperava à porta. É o avô que contava histórias junto à lareira. É a avó que rezava baixinho pelos seus. É o rapaz que sonhava com a rapariga da sua vida. É a menina que esperava, de coração apertado, pelo regresso do seu amor.

É o som das rodas dos carros de bois, o bater dos remos nas águas do Mondego, o canto dos pássaros ao amanhecer e o cheiro da terra molhada depois da chuva.

E quando a saudade aperta, parece que ainda conseguimos ouvir as vozes daqueles que já partiram, sentir os passos de quem percorreu os nossos caminhos e ver, ao longe, uma bateira a deslizar lentamente pelo rio, levando consigo pedaços de um tempo que nunca mais voltará.

Montemor-o-Velho, minha terra de encanto, de memórias e de paixão...

Podem passar os anos, podem mudar os tempos, podem desaparecer os velhos costumes, mas, enquanto houver alguém que conte estas histórias, enquanto houver um coração que se emocione ao ouvir o teu nome, o teu passado nunca morrerá.

Porque as terras também têm alma. E a tua, Montemor, é feita da grandeza das tuas gentes, da beleza do teu Mondego e do amor de tantas gerações.

E se um dia me perguntarem onde mora a saudade, eu responderei sem hesitar: mora nas águas do Mondego, nos caminhos antigos, nas muralhas do castelo e no coração de quem ama Montemor-o-Velho.

Porque há amores que o tempo não apaga, há memórias que a vida não leva e há terras que nunca deixam de ser nossas.

Montemor-o-Velho, ontem, hoje e para sempre... um amor que não tem fim. ❤️

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