Os investidores no mercado da dívida penalizaram hoje o país. O risco de incumprimento aumentou e os juros da dívida subiram em todos os prazos, depois de uma semana a descerem.
A probabilidade de incumprimento da dívida portuguesa num horizonte de cinco anos agravou-se nos últimos dois dias. Subiu de menos de 43% na quarta-feira para quase 44% na quinta-feira e fechou hoje em 44,72%, segundo dados da CMA DataVision para o mercado dos credit default swaps (seguros contra o risco de incumprimento, cds no acrónimo) ligados à dívida soberana.
Depois de ter estado em 7º lugar no TOP 10 da probabilidade de incumprimento, uma classificação mantida diariamente pela CMA para os 10 países com maior risco de default, voltou a subir para 5º lugar. Ou seja, regressou à posição em que estava há uma semana. Nesta classificação quanto maior a probabilidade de incumprimento da dívida mais elevada a posição no "clube" - a Grécia, que tem um risco de quase 100%, lidera a classificação.
No entanto, com um nível de risco e de preço dos cds mais baixo do que em 17 de agosto. Há uma semana o risco estava em 46,38% e o preço dos cds em 721,72 pontos base, contra 44,72% e 688,30 pontos base no fecho de hoje. A probabilidade de incumprimento tem mantido um sentido descendente, apesar da volatilidade que se observa em função da conjuntura global da zona euro.
O mesmo movimento de agravamento da perceção dos investidores se verificou hoje no mercado secundário da dívida soberana em relação às obrigações do Tesouro português (OT). As yields das OT subiram em todos os prazos, com os valores de fecho em 5,08% no prazo a dois anos, 6,127% no prazo a três anos, 8,098% no prazo a cinco anos e 9,397% no prazo a dez anos, segundo dados da Bloomberg. Houve um recuo em relação aos valores atingidos em 22 e 23 de agosto, quando as yields a dois anos haviam descido abaixo dos 5%, as no prazo a três anos abaixo de 6% e as no prazo a cinco anos abaixo de 8%.
No entanto, comparando com os valores de fecho de há uma semana, as yields estão hoje em níveis inferiores, mantendo o sentido descendente.
A troika inicia na próxima semana a 5ª avaliação trimestral do cumprimento do programa de ajustamento, pelo que os seus resultados pesarão na perceção dos investidores e na manutenção ou não do sentido descendente que tem sido observado. Portugal voltou a ser notícia internacional, esta semana, em virtude da divulgação dos resultados da execução orçamental que poderão colocar em perigo a meta do défice orçamental no final do ano.
Refira-se que yield é a taxa de rentabilidade anualizada que o investidor recebe por manter um título até ao seu vencimento; é vulgarmente designada por juros. O mercado secundário é o mercado onde os detentores de títulos soberanos vendem e compram esses ativos; não deve ser confundido com o mercado de emissão, chamado de mercado primário, onde os investidores adquirem dívida emitida pelos Estados e aceitam receber uma taxa média de remuneração.
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