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domingo, 20 de setembro de 2015

O novo banco do PSD…

… ainda não fez um chavo e já estoirou 400 mil euros. Se alguma vez isto der mesmo em banco, daqui a 10 anos cá nos encontraremos no habitual resgate. Giro, giro, será ouvir os que agora descascam na CGD virem dizer que é o preço de se ter um banco público.


Desde que a direita decidiu dar azo à sua reincidente vocação bancária, uns quantos artistas têm-se entretido a plantar a ideia sobre não ser a mesma coisa caso esse papel coubesse à CGD e que, coitadinha, a banca privada teria competição desleal, como se a Caixa não tivesse, até, mais obrigações do que os restantes bancos. Mas têm razão, não seria a mesma coisa. Não haveria, por exemplo, o recrutamento e as pessoas acertadas a comandar a “pipa de massa“.

Mas então, para que serve a “Instituição Financeira de Desenvolvimento, vulgo Banco de Fomento“, que assumiu para cognome a designação dessa outra destinada a operar “na metrópole e no ultramar“?

A Instituição Financeira de Desenvolvimento, vulgo Banco de Fomento, foi hoje aprovada pelo Governo. Solucionar as insuficiências do mercado no financiamento das Pequenas e Médias Empresas [PME] é o objectivo central do novo instrumento, cujo inicio de operações estava previsto para o segundo semestre deste ano [2014]. [i9pt, via RTP/Lusa, 11/9/2014].

Ena, intervencionismo na economia. Esse pessoal que milita liberalismo em meia dúzia de blogs por aí fora até deve sentir calafrios com os planos do seu governo. E o que é que se passa quanto a esse “objectivo central do novo instrumento”?
Banco de Fomento disponibiliza até 1.300 milhões para capitalização e financiamento de dívida
Anúncio do Ministro da Economia em conferência de imprensa, ao início desta tarde. Disponibilizar entre 250 e 300 milhões de euros em apoios à capitalização de empresas e 1.000 milhões para financiar dívida é o valor da primeira tranche de verbas que o Banco de Fomento vai oferecer. [Económico, 2/9/2015, Mónica Silvares]

Surpresa, surpresa, o grosso do dinheiro acabará na banca. Bem, mas sendo um instrumento assim tão valioso, terá o inequívoco apoio de Bruxelas, até porque, como fez questão de sublinhar toda a direita, não se pode syrizar, perdão, remar contra a europa, pois não?
Em conferência de imprensa para anunciar a actividade da IFD, em Lisboa, o Ministro referiu que a União Europeia levantou algumas questões quanto à criação do Banco de Fomento e, «se fosse por vontade dos parceiros europeus, esta instituição não existia». [site do governo, 2/9/2015]

Afinal só não se pode remar contra certas marés, as que fujam à austeridade. Valha-nos, ao menos, que por cá o apoio à ideia é consensual.

Governo deve “transformar” CGD no Banco de Fomento Nacional
“Não é preciso reinventar a roda!”, exclama Rui Vilar num testemunho por escrito, sobre “a vantagem de possuirmos um Banco de Fomento”. “Ora ele existe: é a CGD.” [Económico, 8 Novembro 2012]

Mas deve ser uma actividade especializada que precisa de um novo interlocutor.

[A IFD] na prática não vai fazer mais, pelo menos para já, do que encaminhar para as PME – via bancos comerciais – até 1,7 mil milhões de euros de fundos comunitários. Não se discute a utilidade do dinheiro, nem a utilização de parte dele para a capitalização das nossas necessitadas empresas. A questão é outra: tudo o que vai ser feito pela IFD ou já era feito ou poderia perfeitamente ser feito sem a sua existência. [Económico, 12/8/2015, Tiago Freire]


Aqui está a história de um banco que, antes de o ser, já era. E que, pelo caminho, já gastou 400 mil euros para fazer aquilo que “já era feito ou poderia perfeitamente ser feito sem a sua existência.” Vamos agora falar em cortar gorduras, sr. Passos Coelho?

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