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quinta-feira, 26 de março de 2015

Bolero em fim de tarde

Sente-se a primavera neste Março soalheiro.
Razão mais que justificada, se justificação fosse necessária, para um intermedeio musical.

Aqui vão duas interpretações do Bolero de Ravel, interpretado por duas dançarinas únicas e singulares:
Maya Plisetskaya e Sylvie Guillem.
Uma russa judaica a outra francesa (Paris).
Duas dançarinas de excepção, dois estilos pessoais, duas escolas de bailado – a do Bolshoi e a da Ópera de Paris.
São duas exibições de 20´/15’ cada, a não perder ! 

Ambas as coreografias de Maurice Béjart :

Maurice Ravel – Bolero – Maya Plisetskaya

Maurice Ravel – Bolero – Sylvie Guillem

....porque temos memória:
O coreógrafo francês Maurice Béjart, que morreu aos 80 anos, foi expulso de Portugal pela PIDE em 1968 após um espectáculo da sua companhia, no Coliseu dos Recreios, em que se pronunciou contra a ditadura.
 
Esta expulsão levou ao rompimento de relações entre o então presidente da Fundação Gulbenkian, Azeredo Perdigão e António de Oliveira Salazar, então chefe do governo, sustenta o investigador Medeiros Ferreira, num livro sobre os 50 anos da Fundação Gulbenkian que será lançado em breve.

Maurice Béjart estava em Portugal a convite da Fundação Gulbenkian e no final do espectáculo "Romeu e Julieta", a 6 de Junho de 1968, subiu ao palco para anunciar a morte do pré-candidato às presidenciais norte-americanas Robert Kennedy, assassinado em Los Angeles. 

Aproveitou também para homenagear as vítimas de todas as ditaduras.

"Robert Kennedy foi assassinado... Foi vítima da violência e do fascismo(...) Como todos os que estão aqui esta noite, somos contra as ditaduras...Peço um minuto de silêncio", terão sido as palavras do bailarino, recordadas pelo Diário de Lisboa em 1974. 

Com o Coliseu ao rubro, a assistência aplaudiu durante 20 minutos.

Pouco depois, a PIDE foi buscar Béjart ao hotel onde se encontrava hospedado e expulsou-o do país. Foi deixado num posto fronteiriço espanhol, num "sítio deserto", segundo o próprio. 

A troca de correspondência entre Azeredo e Salazar na sequência deste episódio revela que o presidente da Fundação Gulbenkian enviou várias cartas ao ditador a pedir-lhe explicações sobre o ocorrido, mas nunca obteve resposta, segundo Medeiros Ferreira.

"Azeredo tomou isso como uma ofensa pessoal e institucional", disse o professor universitário à Lusa.

Maurice Béjart voltaria a Portugal em 1974, logo a seguir à revolução que derrubou a ditadura e voltou a apresentar o mesmo espectáculo "Romeu e Julieta" no Coliseu dos Recreios.

Em 1998, o então Presidente da República Jorge Sampaio condecorou-o com o grau de grande oficial da Ordem do Infante D. Henrique. 

Em 2004, Béjart, que veio de novo a Portugal com a sua companhia de dança, confessou, numa conferência de imprensa, que já tinha esquecido o incidente ocorrido em 1968.

"Eu disse o que tinha a dizer... O mundo tem tantos problemas em tantos países que a minha pequena história não é assim tão importante", disse o bailarino e coreógrafo.

....a cenografia dos últimos minutos é um pouco diferente.Ambas as versões são espectaculares. Talvez goste mais do final da versão da Ópera de Paris.

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