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domingo, 17 de novembro de 2013

Outra vez os submarinos

Os escândalos sobre comportamentos fraudulentos envolvendo altas figuras do Estado vêm em ondas, como o mar. Agora, vogando ao sabor das marinhas pulsações e do vai e vem das marés, regressa, revisto e acrescentado, o caso dos submarinos, esse edificante monumento do chico-espertismo nacional. Iremos revisitá-lo com o mesmo carinho e apreço da primeira hora, não obstante sabermos que não nos vai trazer nem surpresas nem emotividade, já que se sabe de antemão como tudo vai acabar. É como um jogo de futebol com resultado previamente ajustado.
Dentro de algum tempo, a equipa sob pressão lança no terreno de jogo um trunfo de peso chamado Freeport (ou, em alternativa, Taguspark ou qualquer outro entre os que estão sentados no banco dos suplentes), e as forças ficam novamente equilibradas. No final, regista-se um empate sem golos, com honra para ambas as partes. A crítica realçará o pendor ultra defensivo e o anti jogo praticado pelas duas equipas, mas reconhece que o resultado se ajusta ao desenrolar da partida. O árbitro verá reconhecido o seu trabalho com nota máxima, pois não se vai dar por ele, e isso, como se sabe, é o melhor elogio que se pode fazer ao homem que detém a máxima autoridade dentro das quatro linhas.
Aparentemente as despesas correrão por conta da Comunicação Social. O executivo, protegido pelo manto diáfano da hipocrisia, manterá o prudente silêncio de sempre, face a esta pequena turbulência. Ao primeiro-ministro, falar ninguém o ouve. Ao vice, não houve quem o ouvisse.
Os romanos, que não tinham soluções para quase nada mas em contrapartida dispunham de boas palavras para quase tudo, diriam a propósito, citando Virgílio –  “Arcades ambo!”, que é como quem diz: tão iguaizinhos que eles são!

António Iria Revez, Lisboa

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