Os
escândalos sobre comportamentos fraudulentos envolvendo altas figuras do Estado
vêm em ondas, como o mar. Agora, vogando ao sabor das marinhas pulsações e do
vai e vem das marés, regressa, revisto e acrescentado, o caso dos submarinos,
esse edificante monumento do chico-espertismo nacional. Iremos revisitá-lo com
o mesmo carinho e apreço da primeira hora, não obstante sabermos que não nos
vai trazer nem surpresas nem emotividade, já que se sabe de antemão como tudo
vai acabar. É como um jogo de futebol com resultado previamente ajustado.
Dentro de
algum tempo, a equipa sob pressão lança no terreno de jogo um trunfo de peso
chamado Freeport (ou, em alternativa, Taguspark ou qualquer outro entre os que
estão sentados no banco dos suplentes), e as forças ficam novamente
equilibradas. No final, regista-se um empate sem golos, com honra para ambas as
partes. A crítica realçará o pendor ultra defensivo e o anti jogo praticado
pelas duas equipas, mas reconhece que o resultado se ajusta ao desenrolar da
partida. O árbitro verá reconhecido o seu trabalho com nota máxima, pois não se
vai dar por ele, e isso, como se sabe, é o melhor elogio que se pode fazer ao
homem que detém a máxima autoridade dentro das quatro linhas.
Aparentemente
as despesas correrão por conta da Comunicação Social. O executivo, protegido
pelo manto diáfano da hipocrisia, manterá o prudente silêncio de sempre, face a
esta pequena turbulência. Ao primeiro-ministro, falar ninguém o ouve. Ao vice,
não houve quem o ouvisse.
Os
romanos, que não tinham soluções para quase nada mas em contrapartida dispunham
de boas palavras para quase tudo, diriam a propósito, citando Virgílio – “Arcades
ambo!”, que é como quem diz: tão iguaizinhos que eles são!
António
Iria Revez, Lisboa
Sem comentários:
Enviar um comentário