Marcelo Rebelo de Sousa elogia discurso de Passos e aponta dois cenários
Marcelo
Rebelo de Sousa elogiou neste domingo à noite o discurso de Passos Coelho ao
país, considerando que serviu para “explicar a política do Governo”, embora
critique o facto de essa explicação só ter sido feita após a decisão do
Tribunal Constitucional (TC). Sobre o chumbo, diz que foi mal fundamentado.
No seu
habitual comentário de domingo na TVI, o professor de Direito considerou que o
Governo tem pela frente duas etapas. A primeira é até à reunião da
próxima quinta-feira com o Eurogrupo, em que Portugal e a Irlanda vão pedir um
alargamento dos prazos para pagar os empréstimos. A segunda etapa começa a
seguir e terá dois cenários possíveis: “Se correr bem, o que é o mais provável,
não há aumento de impostos e vai haver redução de despesa”, afirma Rebelo de
Sousa. Neste caso, terá de haver um “consenso nacional”, com um reforço do
papel do Presidente da República e a criação de “pontes” com o PS.
Se
correr mal, Portugal “vai ter sarilhos” no final da sétima avaliação da
troika e o segundo resgate é “inevitável”, considera. Se assim for, Rebelo
de Sousa defende que Cavaco Silva deve convocar o Conselho de Estado e adoptar
uma posição "mais intensa". No seu comentário deixou implícito que
esta situação é uma “consequência” da decisão do TC, que, embora não seja uma
"má decisão", não está “suficientemente fundamentada”.
Para o
jurista, os juízes do TC fizeram uma análise económico-financeira “muito
curtinha”, em “cinco páginas e cinco parágrafos”. “Ao argumentar que as medidas
rejeitadas foram tomadas no ano anterior e não estavam a dar resultado, deviam
ter feito uma análise económica e financeira maior”, afirmou. Para o
comentador, o chumbo das quatro normas significa que o TC “não se mostra
aberto” a admitir diferenças de remuneração entre os sectores público e
privado, nem a “sacrificar” pensionistas e reformados.
“O que
resta para o Estado poder ir buscar receitas ou cortar despesas é ou o aumento
de impostos, ou cortes em investimento público, ou cortes em despesas,
nomeadamente as sociais, e depois desvinculação de funcionários”, considerou,
apontando que a decisão do TC “abre caminho” à saída de funcionários públicos.
Passos tem de remodelar Governo
Para o
antigo líder do PSD, “mesmo no melhor cenário”, depois da reunião de
quinta-feira Passos tem de fazer uma “remodelação profunda” do Governo. Isto
porque, sublinha, “não basta mudar o discurso, é preciso que as pessoas
acreditem”.
Rebelo
de Sousa comentou também a saída “catastrófica” de Miguel Relvas, que, na sua
opinião, não se ficou a dever à “tonteria” da licenciatura. “Acho que a razão
da saída dele foi ter confundido partido com Estado, partido com governo”,
argumentou. Para o ex-líder do PSD, o “erro histórico” de Relvas foi achar que,
por saber fazer “clientelismo” partidário, sabia ser ministro Adjunto e dos
Assuntos Parlamentares.
Sobre
a moção de censura do PS ao Governo, apresentada e chumbada na quarta-feira,
Rebelo de Sousa diz que Passos Coelho chegou “enfraquecido” ao Parlamento mas
ganhou o debate com António José Seguro.
“Seguro falou e não apresentou a sua alternativa
ao Governo”, critica Marcelo, apontando o dedo também à forma “surrealista” como os socialistas
anunciaram que iriam escrever uma carta à troika, mas só a enviaram 15 dias depois.
Sócrates ficou “desolado” com “ataques” de Passos ao TC
José
Sócrates estreou o seu novo espaço de opinião na RTP com um sorriso mas de
imediato mudou a expressão facial para criticar a “inquietante declaração” do
primeiro-ministro contra o Tribunal Constitucional (TC). O comentador acusou
Passos Coelho de tratar o TC como “um inimigo político”, disse-se “desolado”
pelas “coisas impossíveis” que foram ditas em relação ao acórdão que considerou
inconstitucionais quatro normas do Orçamento do Estado, e foi severo no
julgamento sobre os riscos para o futuro que Passos associou à decisão.
“Só faltou dizer que o TC traiu o país”, lamentou
Sócrates, apressando-se depois a sublinhar que, na sua opinião, o tribunal foi
“tolerante com o Governo”, o que só serve para sublinhar a “injustiças” da
acusação de que foi alvo. Para a “direita política”, continuou José Sócrates, o
recurso aos limites da Constituição serve de pretexto frequente para justificar
as dificuldades no cumprimento do seu programa. O comentador afirma que esta
atitude revela “falta de cultura política e democrática”, até porque uma
eventual revisão da lei fundamental não resolveria os problemas concretos do Orçamento do Estado de 2013. Porque em causa estão os princípios de
igualdade e de proporcionalidade que fazem parte de “todas as constituições”.
Recorrendo a muitas das análises e críticas que fez ao Governo na sua entrevista do dia 27 de Março, Sócrates passou em revista a última semana política e variou de tom entre a “compreensão” manifestada com a moção de censura do PS e as críticas ao Governo, à demissão “tardia” de Miguel Relvas e ao comportamento do Presidente da República na gestão da crise política. No final da sua intervenção, Sócrates voltaria a endurecer a expressão para censurar a “má-fé” dos que comparam a sua licenciatura à de Miguel Relvas. Afirmando não ser “um filho do insucesso escolar”, Sócrates expôs o seu currículo académico com detalhe, recordou que não beneficiou de créditos pela sua vida profissional e disse-se “ofendido” pelos “críticos” que, não o conseguindo “atacar politicamente, recorrem a ataques pessoais”.
Alvo particular das críticas de Sócrates foi, de novo, Cavaco Silva, que ao receber Passos Coelho após o Conselho de Ministros de sábado e ao emitir um comunicado garantindo que o primeiro-ministro tem todas as condições para se manter em funções acabou por formalizar a criação de “um Governo de iniciativa presidencial”. Ao recorrer a Belém, sublinhou José Sócrates, Passos foi em busca de “uma moção de confiança”, acabando assim por revelar “uma extraordinária prova de fraqueza”. Num momento de “grande instabilidade institucional”, o Presidente abdicou de “uma posição de independência” e tolerou que o Governo desse de si a imagem de que “já não lhe basta o apoio parlamentar, também precisa do apoio do Presidente”.
Recorrendo a muitas das análises e críticas que fez ao Governo na sua entrevista do dia 27 de Março, Sócrates passou em revista a última semana política e variou de tom entre a “compreensão” manifestada com a moção de censura do PS e as críticas ao Governo, à demissão “tardia” de Miguel Relvas e ao comportamento do Presidente da República na gestão da crise política. No final da sua intervenção, Sócrates voltaria a endurecer a expressão para censurar a “má-fé” dos que comparam a sua licenciatura à de Miguel Relvas. Afirmando não ser “um filho do insucesso escolar”, Sócrates expôs o seu currículo académico com detalhe, recordou que não beneficiou de créditos pela sua vida profissional e disse-se “ofendido” pelos “críticos” que, não o conseguindo “atacar politicamente, recorrem a ataques pessoais”.
Alvo particular das críticas de Sócrates foi, de novo, Cavaco Silva, que ao receber Passos Coelho após o Conselho de Ministros de sábado e ao emitir um comunicado garantindo que o primeiro-ministro tem todas as condições para se manter em funções acabou por formalizar a criação de “um Governo de iniciativa presidencial”. Ao recorrer a Belém, sublinhou José Sócrates, Passos foi em busca de “uma moção de confiança”, acabando assim por revelar “uma extraordinária prova de fraqueza”. Num momento de “grande instabilidade institucional”, o Presidente abdicou de “uma posição de independência” e tolerou que o Governo desse de si a imagem de que “já não lhe basta o apoio parlamentar, também precisa do apoio do Presidente”.
Para
Sócrates, “o Governo está há muito tempo doente” e não tanto por causa dos
ministros mas “pela falta de comando”. A recomendação de Cavaco em favor do
consenso político parece-lhe uma “ironia” e a ruptura entre o Governo e o PS é
da “responsabilidade” do Governo, que produziu sete alterações à redacção
inicial do memorando de entendimento sem envolver os socialistas. Além deste
afastamento, continuou Sócrates, o Governo insiste em não prestar atenção ao
“descontentamento popular”. “Parem de escavar”, repetiu Sócrates, recorrendo,
como na entrevista à RTP, àquilo que lhe parece ser “uma boa metáfora”.
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