Temos de copiar os alemães, é?
Os políticos de todo o mundo têm interesse em apagar os sinais
exteriores de riqueza. A ostentação leva à inveja, esta leva ao
escrutínio dos felizardos e a investigação acaba por destapar alguns
podres. Já na Alemanha, os políticos têm de esconder os seus títulos
académicos. Ontem, a prof. dr. Annette Schavan, ministra da Educação,
teve de se demitir porque plagiou a sua tese de doutoramento. O irónico
é que a própria demissão parece plágio de uma situação recente. Ontem, a
ministra Schavan mais uma vez não foi original: em 2011, já o ministro
da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg, teve de se demitir, também por
plágio académico. Aqui chegados, apetece julgar os companheiros de
Angela Merkel como viciosos do xerox, professores doutores da treta que
assinam textos sábios que não são seus. A generalização parece justa
porque, também recentemente, dois membros alemães do Parlamento Europeu
foram acusados de plágio. Ora, se é verdade que demasiados alemães se
apropriam das teses alheias, não está garantido que o vício seja
exclusividade teutónica. Se políticos alemães são apanhados nesse
pecadilho e os dos outros países nem tanto, talvez seja porque os
alemães adoram policiar os textos académicos. Há vários sites que ajudam
nessa caça. Enfim, em tese, um povo complicado... Como é difícil
explicar-lhes a simplicidade de um povo onde só se demite um ministro
quando ele faz corninhos no Parlamento.

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