Portugal continua sem combater a corrupção e aplicou apenas uma das 13 recomendações feitas pelo Conselho da Europa para melhorar a incriminação de suspeitos e a transparência do financiamento partidário, denunciou a associação cívica Transparência e Integridade (TIAC).
Em
comunicado, a direcção da TIAC, representante portuguesa da rede global
anti-corrupção Transparency International, lamentou hoje “a reiterada
falta de progressos na luta contra a corrupção por parte das autoridades
portuguesas, sublinhada mais uma vez no último relatório de avaliação
do Grupo de Estados Contra a Corrupção (GRECO)”, do Conselho da Europa.
Estas
conclusões constam do relatório do GRECO sobre o cumprimento das
recomendações dos avaliadores, no âmbito da terceira ronda de avaliação,
que incide sobre os procedimentos de incriminação e a regulação e
supervisão do financiamento político.
Os resultados desta
avaliação “são desoladores”, sublinha a TIAC, apontando que Portugal só
aplicou uma das 13 medidas recomendadas pelo GRECO, desenvolveu
parcialmente quatro e deixou totalmente de lado as restantes oito
recomendações.
Na opinião do presidente daquela associação cívica,
Luís de Sousa, não há vontade política para acabar efectivamente com a
corrupção, o que se verifica desde logo pela ausência de medidas
concretas nos programas do Governo e pelo desnorte da justiça.
“É de lamentar que haja cidadãos a responder em tribunal pelo crime de difamação – uma verdadeira aberração jurídica – por se terem insurgido contra a prepotência, o clientelismo e a inoperância das autoridades judiciárias, enquanto eleitos condenados por crimes de fraude e abuso de poder continuam no exercício de funções em claro desrespeito pelo Estado de direito”, afirmou.
O responsável lamentou que os
funcionários públicos que denunciam a corrupção fiquem à mercê de abusos
na vida pessoal e profissional e que os cidadãos tenham de sofrer todos
os apertos fiscais possíveis, mas que o Estado não se preocupe em
recuperar os activos ilícitos.
Na área da incriminação de
suspeitos de corrupção, o GRECO tinha feito seis recomendações, das
quais apenas foi considerada satisfatoriamente cumprida a da “formação
de magistrados e outros operadores judiciais”.
Todas as outras,
cobrindo questões como o alargamento da aplicação dos crimes de
corrupção a um maior número de agentes públicos, o agravamento das
sanções por suborno e tráfico de influências e a criminalização do
tráfico de influências em transacções internacionais, não foram de todo
aplicadas.
No que respeita ao financiamento político, Portugal só cumpriu parcialmente quatro recomendações em sete.
Por
cumprir ficaram uma relação mais transparente das receitas e despesas
de campanha durante períodos eleitorais, a elaboração de um estudo sobre
práticas informais de financiamento político, em particular no que
respeita ao pagamento de despesas por terceiros, e o reforço da
supervisão da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, dotando-a
de uma intervenção mais proactiva em relação aos partidos.
Luís de
Sousa sublinha que “sem um reforço dos mecanismos de prevenção e
combate à corrupção, o país continuará no mesmo ciclo de má gestão de
dinheiros públicos e nunca sairá da crise”.
Lusa/SOL
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