O bastonário da Ordem dos Advogados
considerou hoje, em Bragança, que a justiça portuguesa está a regredir
para o pior do obscurantismo, apontando como exemplo o julgamento
sumário de crimes com flagrante delito defendido pelo Governo.
«Vêm aí medidas legislativas que são um retrocesso de séculos em relação àquilo que foram conquistas terríveis da humanidade, terríveis porque custaram muito sangue a homens bons e justos da história» (...)
(...) «regredir para os piores séculos, os piores momentos do obscurantismo da História».
«Agora quer-se que a pessoa presa em flagrante delito seja julgada no dia seguinte por um único juiz. Fulano é visto a espancar alguém que morreu, é julgado no dia seguinte ou dois ou três dias depois num tribunal da terra por um juiz sozinho»(...)
(...) «isto é o que de pior havia e houve ao longo da História, contra isto se bateram os iluministas, a razão, os humanistas, mas está-se a voltar a isto agora sem discussão, sem debate, porque as pessoas estão insensíveis a estas questões».(...)
(...) «estão-se a fazer transformações sub-reptícias, sem debate público, de forma leviana e sem nenhum sentido que não seja o de satisfazer impulsos pessoais ou de grupo de vingança».«Hoje administrar a justiça já não é para atingir determinados fins, já não é para proteger determinados bens jurídicos, é sim para satisfazer impulsos ou pulsões de vingança», declarou.
Marinho Pinto criticou ainda «a forma
sensacionalista, sórdida, como alguns órgãos de Comunicação Social
noticiam os crimes» e que «desperta na comunidade um sentimento de
defesa e de vingança em simultâneo».
«E é neste tipo de justiça que estamos a
caminhar em Portugal: estamos a regredir para os piores séculos, os
piores momentos do obscurantismo da nossa história», reiterou.
O jurista encontra um propósito nestas
medidas: «quer-se meter na cadeia por tudo e por nada», e observou que
«Portugal já voltou à primeira linha do número de presos nas cadeias».
Apesar de ser «o país da antiga Europa
ocidental que tem a menor taxa de criminalidade e a criminalidade menos
violenta, é o pais da União Europeia que tem a maior taxa de presos por
habitante», indicou.
«Voltamos aos cento e trinta e tal
presos por cem mil habitantes», concretizou, acrescentando que «são
rácios próximos de países como os Estados Unidos da América e a Rússia».
in Diário Digital
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