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quinta-feira, 24 de maio de 2012

Banqueiros, gestores e políticos na investigação à rede de lavagem de dinheiro

Investigação
Detecção de segunda rede de lavagem de dinheiro leva a nova detenção


O Ministério Público detectou mais uma segunda rede de lavagem de dinheiro a operar em Portugal e deteve um banqueiro luso-suíço. Ricardo Castro terá sido responsável por uma rede de branqueamento de capitais paralela à de Michels Canals. Os seus clientes podem ser os próximos arguidos.
As investigações do Ministério Público (MP) às operações de lavagem de dinheiro através de instituições financeiras suíças levaram a uma quarta detenção esta semana. O detido, entretanto libertado sob o pagamento de uma caução de 300 mil euros, foi Ricardo Castro que, segundo noticia hoje o “Correio de Manhã”, terá sido responsável por uma rede de branqueamento que funcionava em paralelo à de Michel Canals, o banqueiro preso na semana passada na sequência das revelações feitas por Duarte Lima às autoridades.

Ricardo Castro operaria através da Arcofinance, uma sociedade sediada em Genebra, que trabalhava com base numa lista de clientes portugueses do Banque Privée Edmond Rotschild. Segundo o CM, também este esquema, à semelhança da operação alegadamente liderada por Michel Canals, tinha como testa-de-ferro Francisco Canas. Este comerciante lisboeta, conhecido pela alcunha “Zé das Medalhas”, o intermediário das operações de transferência de capitais entre a Suíça e Portugal.

O quarto arguido na teia denunciada por Duarte Lima, cuja colaboração com as autoridades lhe valeu a saída da prisão – está agora em detenção domiciliária devido à acusação relacionada com um negócio imobiliário com o BPN –, foi detido na segunda-feira, na sua residência de Cascais. Na terça-feira, Ricardo Castro acompanhou as buscas do MP e da inspecção tributária a diversos escritórios de advogados de Lisboa.

Banqueiros alvo das investigações

A investigação sobre os esquemas de lavagem de dinheiro terá levado o MP a fazer escutas a alguns dos banqueiros mais importantes do país, como Ricardo Salgado, presidente do BES, José Maria Ricciardi, líder do BESI, Álvaro Sobrinho, presidente do BES Angola e António Horta Osório, homem-forte do britânico Lloyds, escrevem a “Sábado” e a “Visão”. O BES já negou que Salgado e Ricciardi fossem clientes de Canals.

De acordo com a revista da Edimpresa, também Ana Bruno, administradora do semanário “Sol”, detido pelo grupo angolano Newshold, estará a ser alvo de investigações, até pelas suas alegadas ligações a Michel Canals. Segundo a “Visão”, a advogada é presidente de uma empresa alemã que, em parceria com o antigo quadro da UBS, vai gerir um hotel localizado no aeroporto de Berlim. Ana Bruno desmentiu, entretanto, qualquer envolvimento ilícito com o antigo banqueiro.
 
Banqueiros, gestores e políticos na investigação à rede de lavagem de dinheiro

Jornais divulgam nomes de alegados suspeitos, escutados e clientes da rede de lavagem de dinheiro. Ana Bruno, administradora do Sol, é dada como tendo ligações ao cabecilha de um dos esquemas de branqueamento. Todos negam qualquer envolvimento.
Primeiro foram os políticos. A detenção de Michel Canals, o suíço suspeito de ter sido responsável por um esquema de branqueamento de capitais portugueses na Suíça através da sociedade Akoya, terá resultado da denúncia feita por Duarte Lima. O antigo deputado social-democrata terá usado o esquema para movimentar fundos de herança de Tomé Feteira.

Também Manuel Dias Loureiro, ex-governante social-democrata, volta ser referido hoje na imprensa como possível cliente da rede de lavagem de dinheiro. O antigo administrador da SLN, antiga dona do BPN, nega hoje, ao “Correio da Manhã”, qualquer ligação a este esquema, garantindo não conhecer a Akoya, empresa que Canals terá usado para branquear capitais. Já Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras, terá sido cliente dos gestores da Akoya, pelo menos enquanto estes trabalhavam na UBS, noticia o “Diário de Notícias”.

José de Oliveira Costa, antigo presidente do BPN, também é referido nas investigações como um dos possíveis clientes da Akoya. Mas além do banqueiro que está a ser julgado por irregularidades cometidas no banco nacionalizado em Novembro de 2008, surgem nas investigações, conduzidas sob o nome de código Operação Monte Branco, indicações de outros banqueiros.

Altos quadros do Grupo Espírito Santo são citados na Visão e na Sábado, revista que noticia que o presidente do Grupo, Ricardo Salgado, foi alvo de escutas no âmbito no âmbito da investigação conduzida pelo Ministério Público à actuação da Akoya. Também José Maria Ricciardi, presidente do BES Investimento, é citado na "Sábado" como tendo sido alvo de escutas. O banqueiro reagiu esta quarta-feira à noite, ainda antes de a revista ter sido distribuída nas bancas. Ricciardi negou pessoalmente qualquer envolvimento com este esquema, sublinhando que não conhece nem nunca falou com Michel Canals ou com outras pessoas citadas nos jornais. Já antes fonte oficial do BES havia considerado “difamatórias” as notícias envolvendo responsáveis do grupo nestes ilícitos.

Também ligados ao grupo BES, já tinham sido referidos os nomes de Amílcar Morais Pires, administrador do banco, e Álvaro Sobrinho, líder da operação em Angola, como possíveis clientes da rede de lavagem de dinheiro, referiram o “i” e a “Sábado”. A revista adianta ainda que António Horta Osório, presidente do britânico Lloyds, terá sido outro dos banqueiros investigados.

Gestores de grupos de media também constam da lista de possíveis envolvidos. Paulo Fernandes, presidente da Cofina (dona do Negócios) foi referido pelo “i” como possível cliente de Michel Canals, o que porta-voz da empresa desmentiu na própria notícia.

Por seu turno, Ana Bruno (na foto), administradora do jornal “Sol”, faz a capa da “Visão”, que a indica como tendo ligações ao presidente da empresa suíça, através da Acron Berlin Brandeburg Internacional Airport. Esta sociedade vai gerir um hotel no aeroporto da capital alemã e tem Ana Bruno como presidente, que por sua vez tem como parceiro Michel Canals. A advogada já negou veementemente qualquer envolvimento com o líder da Akoya.

O caso foi revelado na semana passada nos jornais. Hoje, a operação "Monte Branco", dirigida pelo Ministério Público (e sem a intervenção da Polícia Judiciária), faz manchetes de vários jornais. O caso promete continuar a dominar a agenda mediática, com a revelação de vários nomes de alegados clientes de Canals e de pessoas que, no âmbito do processo, foram investigadas.
 

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