Urbanização Quinta João de Ourém, Lote 8- 2.º Direito 8700-132 Olhão
Exmo. Senhor
Dr. Passos Coelho
Primeiro-Ministro
Rua da Imprensa à Estrela, 4
1200-889 Lisboa
Registada c/ Aviso de Receção
Olhão, 19/10/2011
Senhor Primeiro- Ministro,
Com os meus respeitosos cumprimentos, dirijo-me a V. Exa. com o objetivo de lhe manifestar o meu profundo desagrado e indignação pelo estado a que o nosso país chegou.
Desconheço se esta minha manifestação de descontentamento chega a ser do seu conhecimento ou se terá o mesmo destino de muitas outras que certamente receberá diariamente, contudo não quis deixar de o tentar, fazendo eco de um coro de protestos que muitos dos portugueses penalizados pelas suas medidas gostariam de lhe exprimir.
Disse V. Exa. em 14 do corrente no parlamento a seguinte frase que passo a transcrever:
“As medidas são minhas mas o défice que as obriga não é meu”
Estamos inteiramente de acordo nesse ponto de vista. Acusam-se mutuamente os partidos que nos governaram nas últimas décadas sobre essa questão e não chegamos a saber quem são os verdadeiros culpados do “atoleiro” em que nos encontramos. Eu sei quem são os culpados e começo por enunciá-los por prioridades:
• Os primeiros são os 40 nobres portugueses conhecidos pelos “conjurados” que em 1 de Dezembro de 1640, entram no palácio real, controlam a guarda tudesca, matam o secretário de estado Miguel de Vasconcelos e forçam a duquesa de Mântua prima de Filipe III a ordenar a rendição das forças fiéis ao
monarca.
• Se esta revolta não tem eclodido hoje seriamos todos espanhóis e Portugal seria mais uma província de Espanha. Não renego a minha pátria, mas, perante os factos, quem sabe se não teria sido uma boa alternativa.
• Os segundos são todos os portugueses “leia-se cordeiros” sem sentido pejorativo que têm seguido fielmente as classes políticas que nos têm (des) governado, segundo as suas crenças ou interesses pessoais, com profundo desprezo do interesse nacional e dos mais desfavorecidos, deixando de os ter “em su sítio” como dicem nuestros hermanos. Não se julgue que sou apologista da violência por esta afirmação, ela é decorrente do meu estado de espírito e falta de esperança no futuro.
• Em terceiro lugar atribuiu a culpa à justiça que pactua com aqueles que nos arruinaram, sem que sejam responsabilizados e criminalizados pelos seus actos.
• São estes os verdadeiros culpados da situação em que nos encontramos. O que é que lhes acontece? Nada, simplesmente nada a não serem aposentados com reformas chorudas ou empossados em cargos de grande relevância em organismos estatais, na banca ou em empresas privadas, com a agravante de alguns ainda serem indemnizados pelas ruinosas gestões que fizeram É evidente que não posso colocar a classe política “toda no mesmo saco”, porém as exceções são uma ínfima percentagem.
• Provavelmente se fossem responsabilizados e criminalizados pelas suas actuações não teríamos tanta gente a querer seguir essa via e pensariam duas vezes, antes de cometerem os desmandos que nos colocaram num beco sem saída.
• O lema é que, quem mais roubou melhor ficou. Os outros que paguem a crise. Os casos conhecidos são mais que muitos e dos mais variados quadrantes da sociedade. O desfecho já todos conhecemos:
a) Arquivamento por falta de provas
b) Prescrição
• Em quarto lugar colocaria a crise financeira mundial e a especulação dos mercados financeiros, que são realidades que não podem ser escamoteadas.
Senhor Primeiro-Ministro, quando evoquei o 1.º de Dezembro de 1640, tive o propósito de lembrar que a situação de Portugal nessa altura também era caótica, contudo um punhado de homens de coragem conseguiram reverter a situação. Somos realmente um povo pacifista, caso contrário já havia muito sangue a correr pelas ruas e muita gente com o fim que merece.
Ao ouvir o comentador da SIC Dr. José Gomes Ferreira, sobre a situação que atravessamos, dou-lhe inteiramente razão. Não há volta a dar. Ainda que com alguma revolta vamos ter que aceitar as medidas de austeridade que nos são impostas, quer as da “troika”, quer as que o governo introduziu para atingir os objetivos a que se comprometeu.
A minha grande dúvida e da maioria dos portugueses é se estes sacrifícios que nos são exigidos vão ter alguns resultados positivos ou iremos continuar a tapar buraco atrás de buraco, como no tempo dos PEC 1, 2, 3, 4 e por aí fora. Agora mudou a nomenclatura é o buraco da Madeira, o buraco do BPN, o buraco das empresas públicas e todos os outros que por aí irão aparecer de surpresa em surpresa.
Senhor Primeiro-Ministro é o descalabro total. Antigamente as pessoas eram honradas e respeitadas. A palavra não era dada em vão. Hoje diz-se uma coisa, passados uns momentos o que se disse desdiz-se. Não se respeita ninguém, agridem-se professores, autoridades, velhos, mulheres, crianças, matam-se pessoas por dá cá aquela palha. Vivemos na selva. Chamam a isto um estado de direito. Se Isto é um estado de direito, não sei o que preferiria.
Exmo. Senhor
Dr. Passos Coelho
Primeiro-Ministro
Rua da Imprensa à Estrela, 4
1200-889 Lisboa
Registada c/ Aviso de Receção
Olhão, 19/10/2011
Senhor Primeiro- Ministro,
Com os meus respeitosos cumprimentos, dirijo-me a V. Exa. com o objetivo de lhe manifestar o meu profundo desagrado e indignação pelo estado a que o nosso país chegou.
Desconheço se esta minha manifestação de descontentamento chega a ser do seu conhecimento ou se terá o mesmo destino de muitas outras que certamente receberá diariamente, contudo não quis deixar de o tentar, fazendo eco de um coro de protestos que muitos dos portugueses penalizados pelas suas medidas gostariam de lhe exprimir.
Disse V. Exa. em 14 do corrente no parlamento a seguinte frase que passo a transcrever:
“As medidas são minhas mas o défice que as obriga não é meu”
Estamos inteiramente de acordo nesse ponto de vista. Acusam-se mutuamente os partidos que nos governaram nas últimas décadas sobre essa questão e não chegamos a saber quem são os verdadeiros culpados do “atoleiro” em que nos encontramos. Eu sei quem são os culpados e começo por enunciá-los por prioridades:
• Os primeiros são os 40 nobres portugueses conhecidos pelos “conjurados” que em 1 de Dezembro de 1640, entram no palácio real, controlam a guarda tudesca, matam o secretário de estado Miguel de Vasconcelos e forçam a duquesa de Mântua prima de Filipe III a ordenar a rendição das forças fiéis ao
monarca.
• Se esta revolta não tem eclodido hoje seriamos todos espanhóis e Portugal seria mais uma província de Espanha. Não renego a minha pátria, mas, perante os factos, quem sabe se não teria sido uma boa alternativa.
• Os segundos são todos os portugueses “leia-se cordeiros” sem sentido pejorativo que têm seguido fielmente as classes políticas que nos têm (des) governado, segundo as suas crenças ou interesses pessoais, com profundo desprezo do interesse nacional e dos mais desfavorecidos, deixando de os ter “em su sítio” como dicem nuestros hermanos. Não se julgue que sou apologista da violência por esta afirmação, ela é decorrente do meu estado de espírito e falta de esperança no futuro.
• Em terceiro lugar atribuiu a culpa à justiça que pactua com aqueles que nos arruinaram, sem que sejam responsabilizados e criminalizados pelos seus actos.
• São estes os verdadeiros culpados da situação em que nos encontramos. O que é que lhes acontece? Nada, simplesmente nada a não serem aposentados com reformas chorudas ou empossados em cargos de grande relevância em organismos estatais, na banca ou em empresas privadas, com a agravante de alguns ainda serem indemnizados pelas ruinosas gestões que fizeram É evidente que não posso colocar a classe política “toda no mesmo saco”, porém as exceções são uma ínfima percentagem.
• Provavelmente se fossem responsabilizados e criminalizados pelas suas actuações não teríamos tanta gente a querer seguir essa via e pensariam duas vezes, antes de cometerem os desmandos que nos colocaram num beco sem saída.
• O lema é que, quem mais roubou melhor ficou. Os outros que paguem a crise. Os casos conhecidos são mais que muitos e dos mais variados quadrantes da sociedade. O desfecho já todos conhecemos:
a) Arquivamento por falta de provas
b) Prescrição
• Em quarto lugar colocaria a crise financeira mundial e a especulação dos mercados financeiros, que são realidades que não podem ser escamoteadas.
Senhor Primeiro-Ministro, quando evoquei o 1.º de Dezembro de 1640, tive o propósito de lembrar que a situação de Portugal nessa altura também era caótica, contudo um punhado de homens de coragem conseguiram reverter a situação. Somos realmente um povo pacifista, caso contrário já havia muito sangue a correr pelas ruas e muita gente com o fim que merece.
Ao ouvir o comentador da SIC Dr. José Gomes Ferreira, sobre a situação que atravessamos, dou-lhe inteiramente razão. Não há volta a dar. Ainda que com alguma revolta vamos ter que aceitar as medidas de austeridade que nos são impostas, quer as da “troika”, quer as que o governo introduziu para atingir os objetivos a que se comprometeu.
A minha grande dúvida e da maioria dos portugueses é se estes sacrifícios que nos são exigidos vão ter alguns resultados positivos ou iremos continuar a tapar buraco atrás de buraco, como no tempo dos PEC 1, 2, 3, 4 e por aí fora. Agora mudou a nomenclatura é o buraco da Madeira, o buraco do BPN, o buraco das empresas públicas e todos os outros que por aí irão aparecer de surpresa em surpresa.
Senhor Primeiro-Ministro é o descalabro total. Antigamente as pessoas eram honradas e respeitadas. A palavra não era dada em vão. Hoje diz-se uma coisa, passados uns momentos o que se disse desdiz-se. Não se respeita ninguém, agridem-se professores, autoridades, velhos, mulheres, crianças, matam-se pessoas por dá cá aquela palha. Vivemos na selva. Chamam a isto um estado de direito. Se Isto é um estado de direito, não sei o que preferiria.
•Tenho saudades do tempo em que vivia na aldeia e até em algumas cidades, onde deixávamos as portas abertas sem o receio de sermos assaltados ou mortos. É verdade que tínhamos muitas dificuldades e agora para onde caminhamos?
• Não vamos retroceder a esses tempos?
• Alguns de nós passávamos fome. Quantos é que neste momento vivendo em democracia, não têm que comer?
• Já são bastante Senhor Primeiro-Ministro e serão muitos mais no futuro. V. Exa. não costuma ver os noticiários? Basta ouvir o que dizem os responsáveis pela maioria das instituições de solidariedade social para ter a certeza do que aqui afirmo.
Não sou filiado em qualquer partido político, mas, não posso deixar de estar de acordo com o deputado Sr. Jerónimo de Sousa, quando há dias o interpelou no parlamento dizendo-lhe que o senhor não sabia o que eram dificuldades. No meu entender pode saber, mas, não por as ter sentido na “pele”.
Dificuldades eram aquelas pelas quais eu passei e milhões de portugueses passaram. Já imaginou o que era um camponês, trabalhar de sol a sol para ganhar 18 escudos por dia para sustentar uma casa de família com 5 ou seis filhos ou mais. Senhor Primeiro-Ministro, nesses tempos não havia televisão (para bom entendedor meia palavra basta) e os pobres amavam-se, razão porque tinham tantos filhos.
Actualmente antes de os fazerem, têm que pensar se os podem sustentar e dar-lhes uma vida digna. É esta a razão porque Portugal tem uma população envelhecida que põe em causa a sustentabilidade da segurança social. Porque não dar uma “injeção letal” a essa gente, resolvia-se o problema de vez, em vez de os estarem a matar lentamente e sem dignidade. Talvez fosse uma solução para a resolução do défice.
Desculpe-me a agressividade. Não é isso que penso de si, certamente que não vai querer acabar com os velhos de uma vez. Vai-lhe tirando a comida a assistência médica e eles vão morrendo aos poucos sem o recurso a situações extremas.
Não se pense que não estou a preocupado com a minha situação, estou, mas, estou muito mais preocupado com aqueles que hoje já não têm que comer. Só por isso é que eu concordo com estas medidas se elas contribuírem para aliviar o seu (deles) sofrimento,
Agora se estes sacrifícios que são exigidos sempre aos mesmos forem para encher os bolsos dos mesmos que todos conhecemos e sabemos quem são, Senhor Primeiro- Ministro, nunca mais vou acreditar na classe política que até hoje nada mais tem feito do que enganar-nos a todos.
As classes no tempo da monarquia eram constituídas pela nobreza, o clero e a plebe. Na república começaram a classificar-se por classe alta, média e baixa. Nos tempos que correm temos só duas, a classe dos ricos e os pobres, sendo que esta última se subdivide em pobres e muitos pobres. A classe média tende extinguir-se, engrossando a classe dos pobres.
Mesmo não sabendo se este meu grito de revolta vai ser do seu conhecimento dou este tempo por bem empregue ciente de que contribui para alertar muitas consciências que por esta ou aquela razão, estão adormecidas. Eu dei a minha contribuição haja outros que o façam.
• Não vamos retroceder a esses tempos?
• Alguns de nós passávamos fome. Quantos é que neste momento vivendo em democracia, não têm que comer?
• Já são bastante Senhor Primeiro-Ministro e serão muitos mais no futuro. V. Exa. não costuma ver os noticiários? Basta ouvir o que dizem os responsáveis pela maioria das instituições de solidariedade social para ter a certeza do que aqui afirmo.
Não sou filiado em qualquer partido político, mas, não posso deixar de estar de acordo com o deputado Sr. Jerónimo de Sousa, quando há dias o interpelou no parlamento dizendo-lhe que o senhor não sabia o que eram dificuldades. No meu entender pode saber, mas, não por as ter sentido na “pele”.
Dificuldades eram aquelas pelas quais eu passei e milhões de portugueses passaram. Já imaginou o que era um camponês, trabalhar de sol a sol para ganhar 18 escudos por dia para sustentar uma casa de família com 5 ou seis filhos ou mais. Senhor Primeiro-Ministro, nesses tempos não havia televisão (para bom entendedor meia palavra basta) e os pobres amavam-se, razão porque tinham tantos filhos.
Actualmente antes de os fazerem, têm que pensar se os podem sustentar e dar-lhes uma vida digna. É esta a razão porque Portugal tem uma população envelhecida que põe em causa a sustentabilidade da segurança social. Porque não dar uma “injeção letal” a essa gente, resolvia-se o problema de vez, em vez de os estarem a matar lentamente e sem dignidade. Talvez fosse uma solução para a resolução do défice.
Desculpe-me a agressividade. Não é isso que penso de si, certamente que não vai querer acabar com os velhos de uma vez. Vai-lhe tirando a comida a assistência médica e eles vão morrendo aos poucos sem o recurso a situações extremas.
Não se pense que não estou a preocupado com a minha situação, estou, mas, estou muito mais preocupado com aqueles que hoje já não têm que comer. Só por isso é que eu concordo com estas medidas se elas contribuírem para aliviar o seu (deles) sofrimento,
Agora se estes sacrifícios que são exigidos sempre aos mesmos forem para encher os bolsos dos mesmos que todos conhecemos e sabemos quem são, Senhor Primeiro- Ministro, nunca mais vou acreditar na classe política que até hoje nada mais tem feito do que enganar-nos a todos.
As classes no tempo da monarquia eram constituídas pela nobreza, o clero e a plebe. Na república começaram a classificar-se por classe alta, média e baixa. Nos tempos que correm temos só duas, a classe dos ricos e os pobres, sendo que esta última se subdivide em pobres e muitos pobres. A classe média tende extinguir-se, engrossando a classe dos pobres.
Mesmo não sabendo se este meu grito de revolta vai ser do seu conhecimento dou este tempo por bem empregue ciente de que contribui para alertar muitas consciências que por esta ou aquela razão, estão adormecidas. Eu dei a minha contribuição haja outros que o façam.
Reitero os meus respeitosos cumprimentos,.
a) Joaquim Amaro
B.I. 1346083
Nota - Esta carta respeita as normas do novo acordo ortográfico.
COM CONHECIMENTO: A todos os grupos parlamentares da assembleia da república.
![]() | Carta ao 1.º Ministro.docx 62K Visualizar Transferência |

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