
Partidos: Deputado fez denúncia pública
Chefe de gabinete de Sócrates oferece cargo
Denúncia de tentativa de aliciamento para um cargo na CP, Refer ou Metro, por 15 mil euros/mês, quotas alegadamente pagas em dinheiro vivo e acusações de chapelada são alguns dos ingredientes de uma polémica que está longe do fim no PS-Coimbra.
O caso de tentativa de oferta de emprego envolve André Figueiredo, dirigente do PS e chefe de gabinete do líder do partido, José Sócrates e o candidato anunciado como derrotado no passado domingo nas eleições para a federação: Vítor Baptista.
O objectivo, diz Vítor Baptista, era o de não se recandidatar.
André Figueiredo já reagiu, prometendo "lançar mão à Justiça" se entender que foi alvo de difamação, falsidades e injúrias". Ao CM, não quis falar mais do caso.
O deputado responde: "Não me preocupa absolutamente nada. Posso garantir que nunca fiz da minha vida uma vida de mentira." E assegura que tem já dois deputados disponíveis para testemunhar o que contou em Abril, após a reunião na sede do PS. Só não revela os nomes .
Já José Sócrates foi obrigado a fazer uma declaração ontem no Parlamento: "Aconselho todos os dirigentes e militantes do PS a saberem ganhar e a saberem perder." E assegurou que a direcção do PS " não se mete" nas questões federativas. Por seu turno, o deputado acrescenta que tem informações de que a " diferença que consta nas actas [eleitorais] são dois votos". Mais, "existem secções nas quais foram feitos pagamentos em dinheiro, o que é proibido". O vencedor nas eleições foi Mário Ruivo.
ANULADA REPETIÇÃO DE ELEIÇÕES
A Comissão Nacional de Jurisdição (CNJ) do PS deliberou ontem, por unanimidade, considerar nula a decisão da comissão organizadora das eleições para a Federação de Coimbra dos socialistas de ordenar a repetição das eleições em 16 secções, na sequência das reclamações de Vítor Baptista. A decisão tinha sido tomada pela Comissão Organizadora do Congresso distrital. O vencedor das eleições, Mário Ruivo, afirmou-se "absolutamente chocado" com a associação da sua candidatura ao aparelho do partido. "É uma afronta aos militantes que comigo protagonizaram uma candidatura de ruptura", sublinha, ao acrescentar que "pouca ligação tem a André Figueiredo".
DISCURSO DIRECTO
"É UMA TENTAÇÃO À QUAL RESISTI", Vítor Baptista, Deputado do PS
Correio da Manhã – Em que termos foi proposto um lugar nas empresas públicas?
Vítor Baptista – Perguntou--se da minha disponibilidade para exercer um cargo na CP, Refer ou Metro de Lisboa. Referi que não conhecia nada desta área. Não sei nada de comboios. Ao que me foi respondido que existem assessores.
– André Figueiredo disse--lhe que poderia ocupar o cargo em troca de não se recandidar ?
– Não. Estava implícita a minha não recandidatura, por ser incompatível com o cargo.
– Não ficou tentado a aceitar 15 mil euros?
– É uma tentação à qual resisti porque resolvi, imediamente, recandidatar-me.
– Sente-se atingido pela declaração do líder do PS?
– Susbcrevo as palavras do secretário-geral. Neste caso, ainda não há vencedores. Não me sinto atingido.
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