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domingo, 27 de maio de 2012

"Talvez assim já se tomem medidas para mudar isto! Só quando os ricos e poderosos são visados é que dão atenção e se indignam! Enquanto é o "mexilhão" faz-se vista grossa!"

26 Maio 2012
Investigação

Superespião faz ficha do patrão da SIC

CM revela documento apreendido no processo
Por:Eduardo Dâmaso/Tânia Laranjo/Janete Frazão


O superespião Jorge Silva Carvalho mandou Paulo Félix, quadro da Ongoing, fazer um relatório sobre Francisco Balsemão, o patrão da SIC. O pedido foi feito a 4 de Setembro de 2011 e deu origem a um extenso documento que depois foi colocado parcialmente na internet.
Passagens do documento foram multiplicadas no Twitter, de forma a serem difundidas na rede social. O objectivo era tornar públicos alguns boatos e também pormenores mais ou menos desconhecidos da vida privada de Balsemão. No processo – conhecido como o caso das secretas – não é perceptível quem "encomenda" o relatório ao superespião. Ao CM, a Ongoing negou tê-lo feito.
O relatório sobre Pinto Balsemão contém uma cronologia biográfica em que são destacados os "factos relevantes" escolhidos por quem faz a investigação.
Na investigação a Balsemão são nomeados os seus amigos, aliados e inimigos. Entre os amigos, estão nomes como os de Vale e Azevedo, Proença de Carvalho, João Rendeiro, Artur Santos Silva e António Guterres.
No grupo dos aliados estão Cavaco Silva, Paulo Portas e Nogueira Leite. Já na parte dos inimigos estão Nuno Vasconcellos (actual patrão da Ongoing), Rafael Mora (gestor espanhol da Ongoing), Joe Berardo, José Sócrates, Miguel Relvas, além de Manuela Moura Guedes e Vasco Pulido Valente.
O documento sobre Balsemão, em alguns passos escrito em tom sarcástico, reflecte uma investigação centrada em recolha de informação na internet, processos judiciais e rumores sobre a sua vida pessoal e profissional. Termina com um "anexo", intitulado ‘Breve Perfil’, que enumera todos os cargos ocupados pelo ex-primeiro--ministro, dados pessoais e raízes familiares, historiando toda a sua ascensão política e empresarial. Dá ainda elementos sobre o seu temperamento.
O relatório é composto por 30 páginas e contém insinuações várias sobre os vícios privados do homem forte da SIC.
SETE MENSAGENS EM POUCOS DIAS
O adjunto do ministro Miguel Relvas, Adelino Cunha, e o ex--director do SIED Jorge Silva Carvalho trocaram sete mensagens de telemóvel, entre 8 e 15 de Setembro de 2011, uma das quais sobre a violação de um envelope do Parlamento.
Numa das SMS, o ex-jornalista escreveu que os papéis de Sérgio Sousa Pinto falariam da Rússia e indicou duas siglas que insinuariam os nomes de Vasco Rato e Miguel Relvas.
No dia 14 de Setembro, o presidente da Comissão Parlamentar de Direitos, Liberdade e Garantias revelou que o envelope enviado a Silva Carvalho com cópias dos documentos sobre a actividade das secretas portuguesas chegou aberto ao destino. Adiantou que o mesmo envelope, com cópias dos documentos remetidos inicialmente de forma anónima ao deputado socialista Sérgio Sousa Pinto, terá sido aberto na central dos CTT. Adelino Cunha disse ontem que os contactos foram mantidos a nível "pessoal".
FALARAM DE AMIZADE E LOJAS MAÇÓNICAS
Falaram de amizades e lojas maçónicas. Trocaram dezenas de SMS antes de Silva Carvalho integrar a Ongoing, discutiram ordenados e até amizades. Noutros momentos falaram da loja maçónica que ambos frequentavam, discutiram até alguns pormenores, reuniões onde se iria falar do futuro do País. No final da investigação da Polícia Judiciária, coordenada pelo Ministério Público, ambos foram acusados de corrupção: Nuno Vasconcellos na forma activa, por ter alegadamente oferecido um ordenado milionário, e Silva Carvalho na forma passiva, por o ter aceite. O que configura corrupção, no caso, é a contrapartida – o facto de Silva Carvalho usar informações descobertas pelos serviços secretos.
Ambos foram acusados pelo Ministério Público.

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