Investigação
Superespião faz ficha do patrão da SIC
CM revela documento apreendido no processo- Comentários (14)
O
superespião Jorge Silva Carvalho mandou Paulo Félix, quadro da Ongoing,
fazer um relatório sobre Francisco Balsemão, o patrão da SIC. O pedido
foi feito a 4 de Setembro de 2011 e deu origem a um extenso documento
que depois foi colocado parcialmente na internet.
Passagens
do documento foram multiplicadas no Twitter, de forma a serem
difundidas na rede social. O objectivo era tornar públicos alguns boatos
e também pormenores mais ou menos desconhecidos da vida privada de
Balsemão. No processo – conhecido como o caso das secretas – não é
perceptível quem "encomenda" o relatório ao superespião. Ao CM, a
Ongoing negou tê-lo feito.
O relatório sobre Pinto
Balsemão contém uma cronologia biográfica em que são destacados os
"factos relevantes" escolhidos por quem faz a investigação.
Na
investigação a Balsemão são nomeados os seus amigos, aliados e
inimigos. Entre os amigos, estão nomes como os de Vale e Azevedo,
Proença de Carvalho, João Rendeiro, Artur Santos Silva e António
Guterres.
No grupo dos aliados estão Cavaco Silva,
Paulo Portas e Nogueira Leite. Já na parte dos inimigos estão Nuno
Vasconcellos (actual patrão da Ongoing), Rafael Mora (gestor espanhol da
Ongoing), Joe Berardo, José Sócrates, Miguel Relvas, além de Manuela
Moura Guedes e Vasco Pulido Valente.
O documento
sobre Balsemão, em alguns passos escrito em tom sarcástico, reflecte uma
investigação centrada em recolha de informação na internet, processos
judiciais e rumores sobre a sua vida pessoal e profissional. Termina com
um "anexo", intitulado ‘Breve Perfil’, que enumera todos os cargos
ocupados pelo ex-primeiro--ministro, dados pessoais e raízes familiares,
historiando toda a sua ascensão política e empresarial. Dá ainda
elementos sobre o seu temperamento.
O relatório é composto por 30 páginas e contém insinuações várias sobre os vícios privados do homem forte da SIC.
SETE MENSAGENS EM POUCOS DIAS
O
adjunto do ministro Miguel Relvas, Adelino Cunha, e o ex--director do
SIED Jorge Silva Carvalho trocaram sete mensagens de telemóvel, entre 8 e
15 de Setembro de 2011, uma das quais sobre a violação de um envelope
do Parlamento.
Numa das SMS, o ex-jornalista
escreveu que os papéis de Sérgio Sousa Pinto falariam da Rússia e
indicou duas siglas que insinuariam os nomes de Vasco Rato e Miguel
Relvas.
No dia 14 de Setembro, o presidente da
Comissão Parlamentar de Direitos, Liberdade e Garantias revelou que o
envelope enviado a Silva Carvalho com cópias dos documentos sobre a
actividade das secretas portuguesas chegou aberto ao destino. Adiantou
que o mesmo envelope, com cópias dos documentos remetidos inicialmente
de forma anónima ao deputado socialista Sérgio Sousa Pinto, terá sido
aberto na central dos CTT. Adelino Cunha disse ontem que os contactos
foram mantidos a nível "pessoal".
FALARAM DE AMIZADE E LOJAS MAÇÓNICAS
Falaram
de amizades e lojas maçónicas. Trocaram dezenas de SMS antes de Silva
Carvalho integrar a Ongoing, discutiram ordenados e até amizades.
Noutros momentos falaram da loja maçónica que ambos frequentavam,
discutiram até alguns pormenores, reuniões onde se iria falar do futuro
do País. No final da investigação da Polícia Judiciária, coordenada pelo
Ministério Público, ambos foram acusados de corrupção: Nuno
Vasconcellos na forma activa, por ter alegadamente oferecido um ordenado
milionário, e Silva Carvalho na forma passiva, por o ter aceite. O que
configura corrupção, no caso, é a contrapartida – o facto de Silva
Carvalho usar informações descobertas pelos serviços secretos.
Ambos foram acusados pelo Ministério Público.

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