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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Submarinos. Procuradora depõe sobre relação afectiva

Justiça

Submarinos. Procuradora depõe sobre relação afectiva

por Inês Cardoso ,
Publicado em 08 de Outubro de 2010 |
Juiz de instrução decidiu ouvir Carla Dias como testemunha por causa de relação com o presidente da Inteli, empresa que fez peritagens para o Ministério Público no processo.

Pinto Monteiro almoçou com os magistrados do DCIAP
É uma relação pessoal muito pouco privada e que, depois da abertura de um inquérito determinado pelo procurador-geral, leva a procuradora-adjunta Carla Dias a ser ouvida, como testemunha, na fase de instrução do processo das contrapartidas à compra dos submarinos. Em causa está a dúvida lançada pela defesa de alguns dos dez arguidos sobre a imparcialidade das peritagens feitas pela Inteli para o Ministério Público, já que o presidente da empresa admitiu uma relação com a magistrada, envolvida na equipa de investigação.

O juiz Carlos Alexandre, do Tribunal Central de Instrução Criminal, decidiu ontem ouvir Carla Dias no próximo dia 2 de Novembro. A dúvida é a mesma que originou o inquérito aberto pela Procuradoria e que ainda decorre: saber se a relação prejudicou a investigação sobre a alegada burla nas contrapartidas.

Ontem, em declarações aos jornalistas à margem de um encontro com os magistrados do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) - em que correu a investigação -, o procurador-geral procurou esvaziar o incómodo causado pelo caso, sublinhando aguardar a conclusão do inquérito. "Isso está a ser apurado, não me vou pronunciar", declarou Pinto Monteiro, acrescentando que qualquer pessoa pode ser chamada num processo como testemunha. "Pode não haver nada de especial."

Questionada pelos jornalistas, Carla Dias não quis tecer qualquer comentário. Idêntica reacção teve Cândida Almeida, directora do DCIAP, que não escondeu o apoio à procuradora-adjunta, dando-lhe um abraço perante as câmaras de televisão. Quando a polémica à volta da relação da procuradora com o presidente da Inteli estalou, em Julho, Cândida Almeida emitiu um comunicado em que afastava dúvidas sobre a situação.

"O aludido presidente da administração da Inteli não é nem nunca foi perito nos autos", justificou na altura, acrescentando que também Carla Dias "nunca foi responsável pela investigação" e "apenas executava tarefas determinadas pela responsável do processo", Auristela Pereira. A mesma nota elogiava ainda o "rigor profissional e ético" da magistrada, que "no exercício das funções sentiu necessidade de informar a sua hierarquia que tinha iniciado uma relação afectiva e séria com o presidente do conselho de administração da Inteli".

No encontro que manteve ontem com os magistrados, destinado a preparar a "reorganização do DCIAP", Pinto Monteiro criticou a "campanha perturbadora" que tem sido lançada, "de variadíssimos quadrantes", contra aquele serviço responsável pela investigação da criminalidade complexa.

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