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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Governo contratou KGA por 330 mil euros no dia do PEC II

Governo contratou KGA por 330 mil euros no dia do PEC II

Agência internacional foi contratada para ajudar Portugal junto dos mercados financeiros. Data por esclarecer: contrato é de Maio, mas as primeiras notícias são de Fevereiro.

Em plena campanha pró-PEC III, o Governo continua a recorrer aos préstimos da Kreab Gavin Anderson (KGA) para ajudar a imagem do País junto dos mercados financeiros, garantiu ao DN fonte oficial do Ministério da Economia. O contrato com a empresa multinacional - até agora envolto em sigilo - custou aos cofres do Estado 330 mil euros.

Para já, porém, o contrato não foi ainda (como exige a lei) publicado no site governamental Base - que publicita todos os contratos públicos.

Será uma questão de dias, alega fonte oficial do Ministério da Economia: "Ainda não consta [do site] porque aguarda a certificação da PME Investimentos [o organismo que contratou pelo Estado a agência] por parte da Imprensa Nacional-Casa da Moeda."

Ainda assim, restam contornos menos claros na celebração do contrato. Desde logo, porque desde Fevereiro surgem na imprensa notícias da colaboração da Kreab Gavin Anderson com o Governo, tendo sido, inclusive, referido que a KGA aconselhou o Executivo a atrasar as medidas do PEC I para que a imagem do País não fosse colada à da Grécia.

Porém, segundo dados fornecidos ontem pelo Governo ao DN, o contrato com a KGA só foi assinado quase três meses depois, precisamente no dia em que foi acordado o PEC II com Pedro Passos Coelho, a 13 de Maio. O que aconteceu nestes três meses é, porém, desconhecido.

O mais visível da campanha internacional do Executivo de José Sócrates têm sido as recentes aparições dos governantes portugueses em órgãos de dimensão mundial como o New York Times, a CNN ou a Bloomberg. No entanto, o DN apurou junto de fonte ligada à empresa que a função mais relevante da KGA não passa pelos media, mas sim pelos "bastidores". Isto é: pelo lobbying.

Na página da Internet da própria empresa percebe-se que é esse o seu palco privilegiado. Sendo uma multinacional de "comunicação financeira, empresarial e public affairs", como se pode ler, não se trata de uma agência de comunicação tradicional.

Já o Governo, justifica o contrato com o "contexto das alterações dos mercados financeiros e com impactos significativos na deterioração das condições de financiamentos das instituições de crédito e das empresas".

Para o Executivo de José Sócrates, esta conjuntura tornou "imperioso e urgente assegurar uma estratégia eficiente de comunicação juntos dos principais stakeholders internacionais que afectam as decisões de financiamento da economia portuguesa e das instituições de crédito a operar em Portugal". É aí que entra a KGA, que no fundo é paga para fazer lobbying junto dos agentes financeiros, como as malfadadas agências de rating.

Questionado sobre o porquê da escolha da KGA, o ministério tutelado por Vieira da Silva explicou que esta é uma "empresa de indiscutível reputação no sector."

Entre o PEC II e o PEC III, tempo em que o contrato esteve já em vigor, a imagem de Portugal teve altos e baixos - nesta ordem. Neste momento, a acção da KGA passará por credibilizar o Governo junto dos mercados financeiros, tendo agora como trunfo medidas ainda mais austeras do que as de Maio.

A KGA pode assim acenar aos agentes financeiros com sinais como a subida de impostos, cortes de salários na função pública ou os cortes nas prestações sociais.

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